sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Minha rotina foi atropelada por um turbilhão de pensamento, sentimento, compaixão, resultando num soluço incontrolável. Começo o meu texto desvalorizando-o, pois tenho certeza de que não conseguirei expressar 10% do que senti.

Fui atropelada por um conhecido. Poderia escrever que ele é meu amigo de infância, se não tivéssemos feito escolhas diferentes em nossas vidas. Contudo, eu sei que ele é ele e ele sabe que eu sou eu há muito tempo. Anos. Mais de uma década. Ele foi espancado por uns caras e largado num banhado, onde lá ficou por 3 dias agonizando de dor. Foi encontrado por moradores da redondeza, que acharam que ele estava morto. Mas ele não estava morto. Estava vivo. E bem vivo. Perdeu massa cefálica, perdeu os movimentos, vegetou por alguns dias no hospital. Passou por cirurgias. Recebeu alta. Voltou pra casa. Não recuperou a massa cefálica, mas recuperou os movimentos. Caminha com dificuldade, com deficiência. Seus olhos demonstram debilidade, passividade, prisão.

Querem saber o motivo do espancamento? No auge da fissura pelo crack, ele assaltou um cara. Por “sorte”, o cara era protegido dos traficantes, os mesmos que trocariam o que ele roubou do protegido por droga. Por crack. O círculo é gigantesco. E para no mesmo lugar. Tranca no mesmo lugar, pelo mesmo motivo. Pela pedra.

“Ah, tinha mais é que ser espancado, ladrão filho da puta”. Sim, muitos podem dizer isso com toda a razão. Com a razão deles.

Eu não digo nada, não disse nada. Minha vontade era de pedir licença para o mundo e dar um abraço nele, falar sem falar que ele não é um excluído, que a dor dele é a dor de muitos, que eu entendo ele. Enfim. Mas não falei nada. Só chorei baixo, abafado.

O crack é um dedo gordo e pesado que aperta no botão que desativa a moral, a distinção do certo e do errado, desativa a boa índole, o bom caráter, a vergonha na cara. Pluft! Tudo some. Tudo consome. É consumido. Consumível. As roupas, inclusive as que estão tapando o corpo, as lembranças da pessoa amada, o carro zero quilômetro, a fiação da rua, o liquidificador da mãe, o seguro desemprego, as meias da irmã, o note book da empresa. TUDO. E tem mais. Além de tudo ser consumível, digno de ser trocado por droga, tem outra moeda, o penhor. Aí entram os documentos do carro, o cartão do banco, identidade, carteira de trabalho, chave da casa. Tudo meramente simbólico, um compromisso de voltar na boca e pagar o preço que eles determinarem. “Se fode, mano, eu disse que era 21 pila pra pegar de volta o teu CPF, mas agora decidi que é 211. Consegue essa grana, senão eu te estóro. Não me vem com chororô. O problema é teu. Quem mandou cair na pedra.” Aí o cidadão, que mais parece um bicho seguindo seus instintos de necessidade, já sem um pingo de condições e forças para sair do buraco que se meteu, pois já percorreu o centro da cidade de pés descalços, já que as havaianas que encontrou no lixo ele trocou por crack numa boca bagaceira que aceita qualquer merda, corre atrás da grana. Agora é o miolo dele que está em jogo. Pelo caminho, a zumbizada fornece o combustível “na parceria”. Nessas horas, o cara não tem mais família, pensamento, coração. É puro instinto. É puro crack.

E não estou falando do moleque que mora na rua. Tô falando de dependentes químicos que passam por nós diariamente e são confundidos com mendigos, com pessoas totalmente diferentes de nós, quando na verdade são nós. Sem contar aqueles que conseguem se embretar em alguma casa de algum jornalista famoso que também tá no crack e que abre as portas do apê ex-badalado, agora vazio, com colchões sujos espalhados pelo chão, para quem quiser entrar e se refugiar como ele. É a solidariedade da droga.

Esses dependentes químicos não estão distantes da gente. São anônimos que já foram protagonistas de suas vidas. Vidas plenas. Cheirosas. Com comida no prato, tênis de marca no pé, lençóis limpos a embalar o sono, palavras corretas saindo da boca com hálito de pasta de dente e círculo social risonho.

Ei, chega de se enganar, chega de ter vergonha de falar sobre isso, de confessar que está passando por isso, que já passou por isso e que doeu, está doendo, e doerá para sempre. PARA SEMPRE. O reflexo do crack não é uma fotografia de um modelo caído numa sarjeta, com olheiras feitas a lápis e cenário de isopor. Que tal pensarmos sobre o crack ao invés de crack nem pensar?

sexta-feira, 13 de maio de 2011

não vale o risco... vai por mim.


É muito fácil falar na liberação da maconha, contabilizando as desvantagens que outras drogas trazem e que estão por aí, legalizadas, como o álcool... entendo que a legalização, dentro de uma teoria que nunca vai sair do papel e se tornar prática com a mesma perfeição ali escrita, acabaria com uma série de problemas que a ilegalidade de uma “erva natural” traz... mas isso tudo é uma ilusão tosca, é desculpa para maconheiro poder fumar o seu back em paz... e não me venham com defesas mais toscas ainda, me dizendo que fumam uma vez por semana, em nome do deus não sei o que... aqui não há julgamentos... o blog é meu e escrevo nele a minha opinião... não gostou? Para de me ler. Simples assim.

Se a legalização da maconha acontecesse, eu teria uma ideia para dar aos organizadores da tal lei que a legalizaria... no lugar onde vendesse a super erva “natural”, antes de tu comprar pela primeira vez, tu terias que preencher um cadastro, ir em uma reunião de N.A (narcóticos anônimos), levar o comprovante de presença para o tal do lugar e depois, sim, comprar a sua droga e desfrutá-la da “melhor” maneira... às vezes tenho vontade de entrar no meio dessas discussões de barbudos que querem mudar o mundo com suas teorias tão teóricas que nunca se tornarão realidade e falar isso, mas logo depois me bate um cansaço, um sentimento de que não vai adiantar nada...

Eu estive em uma reunião de N.A e é com o consentimento de um dependente químico limpo há 15 anos, sim, limpo há 15 anos e ainda dependente químico, pois, uma vez dependente químico, sempre dependente químico e soldado de uma batalha vitalícia e diária de começar e terminar o intervalo de 24 horas de um dia limpo... enfim, voltando ao fio da meada... é com o consentimento desse EXEMPLO de pessoa é que escrevo o termo maconheiro para quem usa maconha sem a menor intenção de ofender... lembro que ele desmistificou a coisa toda e quebrou o gelo de todos que ali estavam com um discurso fantástico: antes de qualquer coisa, a gente tem que acabar com essa historinha de que é preconceito chamar o fulano disso ou daquilo... tu suga cachaça feito uma esponja? Tu é um bêbado! Tu fuma a tua macoinha todos os dias? Tu é maconheiro e ponto final! Se a coisa não é ruim, não é marginal, a ponto deles reivindicarem a legalização, porque o pavor em se intitular maconheiro?...

Nessa reunião, ouvi a história de TODOS que ali estavam e todos,  TODOS, sem exceção, começaram o seu histórico de dependência química com a maconha, seja por qual for o motivo, a maconha foi a porta de entrada para uma viagem sem volta, para – uma batalha constante com o diabo – palavra de um dos soldados vitoriosos até tal dia.

Legalizar não é a solução para acabar com o tráfico! Ou será que a ingenuidade de quem defende a legalização da maconha é tamanha a ponto de achar que o que sustenta o tráfico é a maconha?... ah, façam-me o favor!... se vocês fumam maconha para ampliar seus horizontes, aconselho que fumem mais, porque não está fazendo efeito!... o mercado do tráfico é amplo demais, tem viciados o suficiente para continuar sustentando essa máfia, essa chaga da sociedade e, além disso, tem criatividade o bastante para fazer uma misturinha de maconha que o mercado legalizado não terá para vender...

O problema não está aí. O problema está na educação, no pensamento das pessoas acerca da maconha... muitos têm um discurso de que é o seu meio de relaxar, de diminuir a marcha, depois de um dia acelerado, é como um “antidepressivo natural”... tudo isso é entendível e até possível de ser digerido... mas e o gurizão que experimenta a maconha e tem tendência a ir mais além?... e a menina que começa a usar maconha para entrar na turma, que logo a turma passa para a cocaína e ela, para não sair do círculo, segue o baile?... e o homem que usa maconha para relaxar, que foi traído pela mulher da sua vida, que não tem um puto de um tostão para comprar uma carreira de cocaína (que ele admite usar só em casos extremos) e que acaba comprando uma pedra de crack?... e a mãe, que foi hippie e libera a maconha para o seu filho que, numa festa, convida um pessoal novo que tem uma heroína “das boa” como atração principal?... tudo isso e mais uma INFINIDADE de riscos as pessoas se colocam ao ter contato com a maconha... e se a pessoa tem uma leve tendência e/ou fraqueza, cai em outra coisa e essa outra coisa pode ser a literal ruína de uma vida, da vida de uma família inteira... o risco é muito grande e o preço que se paga é alto demais...

Cara, se tu fuma, opção tua de vida.
Se tu tem cabeça, educação e índole para saber lidar com isso numa boa, sem ultrapassar o limite onde afeta a minha liberdade, bacana, legal.
Mas não levanta uma bandeira pintada com sangue para muitas, mas MUITAS famílias...

O problema da droga já ultrapassou o patamar do problema, já é epidemia... costumamos nos dar conta disso quando somos afetados diretamente por algo... e ser afetado diretamente pela droga não é uma boa maneira de dar-se conta disso, pois quando a ficha cai, estamos no olho do furacão e sair dele é possível, sim, mas nos deixa cicatrizes tenebrosas... 

Vai por mim, fica na tua, fuma o teu back na manha, não espalha isso para o mundo, pois o que pode te ajudar a colorir o papel da tua vida, pode ser o cinza (ou as cinzas) da vida de outra pessoa...

quinta-feira, 12 de maio de 2011

luz apagada para acender...


Dias desses passei por uma experiência bacana: faltou luz e eu estava sozinha em casa... está bem, sozinha, não, o cachorro estava comigo, literalmente comigo... e foi coisa de fio rompido ou coisa parecida... sinal de que a escuridão ia longe e eu teria que dar jeito em fazer alguma coisa... acendi umas velas... o olhar do cachorro, louco de apavorado, me passava uma insegurança daquelas... então, pensei: de inseguro, já basta o cachorro...  recorri às tiras da Mafalda, sempre dispostas a preencher o “tenho que fazer alguma coisa para o tempo passar”... aí a proximidade dos meus trinta anos se acusou por meio da minha astigmatizada visão, totalmente deficiente...

Decidi escutar o meu silêncio. Naquele momento, eu não tinha nenhum compromisso a cumprir, nada a falar, não tinha como inventar alguma coisa, nenhum horário para nada, enfim, mergulhei na ilimitude do meu silêncio... não vou filosofar sobre a coisa toda, dizendo que foi incrível e transcendental, porque foi meio monótono, até eu me sentir estranhamente estranha ao me ver assim: solta, ilimitada, sem rumo, sem nada e com tudo ao mesmo tempo...

Deitei no sofá e me escutei... escutei a plenitude falando, sem falar, que é preciso apenas viver a vida sem grandes questionamentos, sem grandes teorias... vamos construindo nossa essência com nossas experiências, nossa educação e alimentação da nossa índole... é ela, a essência, quem nos guia pelo caminho, dia após dia... e está nesse caminho o grande sentido desse encher o ar de pulmões de cada dia, de todo o dia... chegar é preciso, mas não dá pra caminhar até lá sem sentir as cores e aspirar os sabores da estrada...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

abraço de liberdade


percorri o mesmo caminho pela quarta vez, rumo a um fim de mundo que a maioria das pessoas não imagina existir... pelo caminho, almas ingênuas abrigadas em um corpo doente, em um corpo considerado louco... sempre que tenho o prazer de vê-los, mesmo em uma situação tão dolorida, penso com uma ligeira alegria que eles são os normais, que dão vasão para o mundo que grita dentro deles, sem limitar-se com as limitações impostas por esse mundo tão comum e normal.

dar-se conta de que era a quarta vez que eu estava percorrendo aquele caminho louco, fez-me pensar em um ditado mais do que manjado: chovendo no molhado... sim, eu estava chovendo no molhado.

chega.

firme e forte como só eu consigo ser, peguei nas minhas mãos, como em prece, e tirei forças de mim mesma.

abracei o amor... um corpo tatuado com muita dor, com uma história de existência dolorosa... aquele abraço selou tantas batalhas vividas assim, abraçados... aquele abraço fechou mais uma vez a mesma porta que, como uma pessoa que sofre de transtorno obsessivo compulsivo, abri e fechei a mesma porta algumas vezes para certificar-me se ela está realmente fechada e, entre esse abrir e fechar, reforço a certeza se quem ficou lá fora, lá fora do meu coração, ficará bem, ficará em paz, ficará em luz.

fechei a porta. definitivamente.

e, como um grito de liberdade, cochichei no ouvido dele: tu me liberta?
sim, Fiel Escudeira, eu te liberto – gritou-me esse amor em um soluço triste, mas libertoso para ele também.

busquei o choro para seguir me abraçando no caminho de volta, mas não o encontrei... no rádio, sim, incrivelmente no rádio, como uma das músicas mais pedidas da manhã, o fito paez me grita: “Si un corazon triste pudo ver la luz, Si hice mas liviano el peso de tu cruz...”... agradeço às pessoas que pediram esta música para mim, para que eu a escutasse EXATAMENTE naquele momento, escutando-a da melhor maneira, com a minha melhor energia e com a certeza de que o meu coração voltará a ver a luz e que o peso da minha cruz já se faz mais leve, muito mais leve depois daquele último fechar de portas, depois daquele grito sussurrado de libertação.

o mundo segue a girar... Y a rodar, y a rodar, y a rodar, y a rodar mi vida, mi amor... yo no se donde va mi vida, pero tampoco creo que sepas vos... e o que me importa saber para onde vai me levar minha vida?.. o importante é o caminho, que seguirei trilhando-o da melhor maneira, com uma bonita bagagem de vida.

terça-feira, 3 de maio de 2011

fim


Dou bom dia pro cachorro, que me olha com cara de “bom dia o caralho, me dá logo o meu pão”... nestas horas, sinto tanta falta do miró... gatos dão o melhor bom dia do mundo sem pedir nada em troca, a não ser um pouco de carinho, um bom dia recíproco... o silêncio é tomado por lembranças barulhentas... a ausência é preenchida pela presença ausente de um nada solitário.

Todo o fim é dolorido, é doloroso.

O meu cobertor nestas noites frias dentro de um quarto que tem que ficar com as janelas abertas por causa da tinta ainda fresca passada por cima das paredes do meu passado é a plena certeza de que dei todo o amor que sonha toda e qualquer vã e sã filosofia...

Todo o fim é dolorido, é doloroso.
O fim de um relacionamento não seria diferente... contudo, o baile segue, o barco segue, a vida segue... logo as paredes brancas, recém pintadas de uma esperança branca de um futuro colorido, abrigarão lembranças doces, que me formarão em essência, que me darão a base para futuros risos, futuras felicidades e futuros afetos.

O dolorido neste fim, neste meu fim, é que, junto dele, vem uma amarga derrota de uma batalha tão, mas tão batalhada, tão, mas tão lutada e tão, mas tão vencida...  este amargo vai custar a sair da minha existência... tomara que me renda boas palavras futuramente... tomara que eu chegue num ponto evolutivo onde a minha doída experiência sirva de auxílio para essa imensidão de pessoas que, diariamente, passam pelo mesmo pesadelo que passei... mas isso é assunto para outra publicação.

Fica aqui o dolorido do fim, adocicado com a certeza de um amanhã colorido e refrescado pela brisa que vira as páginas do meu livro, passando para novos capítulos...

domingo, 24 de abril de 2011

amargo renascimento doce



páscoa: ressurreição de jesus cristo.

nunca fui adepta ao "idolatrismo" a jesus cristo na sua cruz, morrendo por nós, pecadores e blablabla... estudei os 11 anos de estudo básico em uma escola completamente católica... era a escola que oferecia melhores condições de educação nos arredores... meus pais sempre ressaltavam que não era para eu me entregar àquele sistema... que era para eu respeitar, mas não esquecer da minha essência espiritualista... mesmo novinha, defendia minha opinião, mesmo que ela fosse diferentes de TODOS, mesmo que eu fosse crucificada, como o tal do rapaz que me olhava o tempo inteiro encima do quadro negro... tenho a lembrança interessante de uma aula de religião, onde o professor nos levou ao altar da igreja da escola, falou sobre a páscoa e depois pediu o meu ponto de vista assim: agora, pessoal, vamos saber o que acha a nossa colega maitê, que é espírita... nunca achei aquele apontamento ruim... na verdade, aquilo me dava uma gana gostosa para estudar mais sobre a doutrina espírita e ter bala na agulha para trocar ideias com o professor...

mas não era sobre isso que eu queria escrever... sabia que eu ia fugir do assunto...

o doce da páscoa ameniza o amargo necessário da MINHA páscoa... há 5, 6 anos (faço questão de não lembrar com precisão algumas datas), meus pais se separaram... eu já estava na casa dos vinte e sofri como uma criança de 5 anos, e não entendi porra nenhuma como uma criança de 9 anos... era fim de semana de páscoa e meus pais, com a sabedoria de sempre, pediram para que minha irmã e eu saíssemos de casa... sabíamos que na volta ele não estaria mais... aquilo foi amorosamente calculado, para evitar a dor inevitável... prefiro me poupar dos detalhes ruins... acredito que a palavra que melhor traduz o que senti ao voltar para casa, depois de um passeio cinza pela redenção, é VAZIO... um vazio sem medida... costumo dizer que é pior do que a morte, pois o vazio da morte é inevitável... por muito tempo meu complexo-assumido-de-édipo me fez chorar até eu achar que não tinha mais lágrima dentro de mim... até hoje, quando ele vem me visitar, disfarço como criança encabulada e não o vejo ir embora... não consigo... choro.

5, 6  páscoas já passadas, entendo que aquela páscoa cinza, dolorida e vazia foi uma literal páscoa, páscoa com P maiúsculo, PÁSCOA em caps lock... foi o renascimento de um homem, de um pai, de uma mulher, de uma mãe, de uma menina, de uma filha... 5, 6 páscoas já passadas e lá estávamos nós, renascidos e ainda unidos num ainda abraçado, num ainda verdadeiro, num ainda essencial, enfim, num ainda que será para sempre.

domingo de páscoa, 21:10... estou com um sapo gordo na garganta, uma tristeza de filha-complexada-edipamente... domingo de páscoa, 21:11... o ovão de cereja escolhido pelo meu pai e o amor da sua vida me lembram o quanto o renascimento foi necessário para que eu estivesse bem aqui, como estou, RENASCIDA... 

alguma doutrina por mim estudada em alguma altura desta minha vigésima sétima tão curta vida diz que nascer é dolorido para o espírito, pois ele terá, a partir do momento do corte do cordão umbilical, que viver com as limitações terrenas... minha experiência pascoal e vital afirma o quanto é dolorido renascer, mas ter a chance de nascer de novo nesta vida tão docemente limitada é bonito demais, é especial demais... é compensador.

renascer é preciso.
dia após dia.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

muda tudo muda


E o que se faz quando os conceitos mudam, quando a realidade muda e simplesmente não queremos que isso aconteça, que tais coisas mudem, “saiam do lugar”, sejam substituídas por situações novas?... me sinto uma senhora católica, sentada na varanda da sua casa, com sua toalhinha de crochê inacabada no colo e um coque grisalhinho, grisalhinho enrolando as longas madeixas preservadas por décadas e décadas... um vento estranho assobia no meu ouvido, sutilmente me dizendo para dançar conforme a música... ao mesmo tempo, um empurrão debochado me derruba no sofá e, sem pudores, me diz: olha ao teu redor, Maitê Cena, tudo mudou e tu continua aí, querendo que tudo continue sendo como foi há muito tempo e como nunca mais será, pois o tempo passa e assim é o ciclo da vida...

Conto para o meu pai que esses dias minha irmã foi jantar na nossa casa, e que minha mãe “desfez” da presença dela, e que seguiu com sua rotina internetística, e que eu, afim de ter um tempo em família, peço para a minha mãe sair do computador e vir para a sala para ficarmos juntas como antes, e que minha irmã, sem dar tempo da cadeira esfriar, toma o lugar dela na frente do computador, e que minha mãe ficou me olhando com cara de tacho, e que chorei feito uma criança com medo do escuro debaixo do lençol à noite, e que, e que, e que... meu pai dá uma risada sábia que, como um copo dágua, faz descer o choro trancado que estava na minha garganta...

"As coisas mudam, Maitê"... e se eu não quiser que as coisas mudem, pai? e se eu não aceitar que as coisas mudem, pai? e se eu bater pé que eu quero que tudo continue igual, pai? o que vai acontecer?... "As coisas vão continuar mudando, Maitê... está na hora de tu se desligar um pouco de todos ao teu redor e se mimar um pouco"... pronto, pai, fim de papo, senão vou acabar chorando no meio do corredor dos chocolates e isso seria uma heresia... damos risada juntos e seguimos as compras...

digerir algumas mudanças me são tão indigestas... ver nos olhos nublados do meu vô o medo da morte, que hoje bateu na sua porta para avisar que seu único irmão vivo está quase partindo, me dói tanto... será que não devia doer, pai? hein, empurrão debochado, será que eu preciso seguir meu baile sem me atingir com essas mudanças?... e tu, ventinho bobo, que me sopra verdades cinzas, acha que tenho que ter fôlego para dançar conforme a música?

é claro que muitas coisas mudam, mas em essência continuam bonitas coloridas... me despeço da primeira garopaba que minha irmã fará sem mim uma despedida rápida, mas o silêncio dela na fila do subway e a mãozinha magra dela na minha falam mais do que um discurso ou um depoimento no orkut... o "tiiiita mococa do vô" que o meu véio me fala sempre que me dá aquele abraço gostoso é o mesmo de quando os braços dele podiam me tocar para cima num abraço... é isso que vale, é isso que fica, é isso que me faz lembrar que o mundo todo pode mudar, mas o que em essência existe vai comigo por onde eu for...

"E o fim é belo incerto... depende de como você vê... O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só..."

terça-feira, 19 de abril de 2011

viagem imaginativa


hoje de manhã enfrentei um ônibus lotado... tinha esquecido o quanto aquilo me fazia pensar... aquele amontoado de gente ocupando o mesmo espaço, todos muito sérios, todos dentro dos seus pensamentos, problemas, alegrias, frustrações e euforias... sempre imaginei como seria uma viagem de ônibus se as pessoas conversassem entre si naturalmente... nesta imaginação cabe até um chimarrão passando de mão em mão e uma rapadura partida em pedacinhos dividida entre os que ali estão...

(quando eu era criança, eu pensava que deixaria de imaginar coisas assim quando crescesse... aconteceu que eu não cresci muito e minha imaginação de hoje dá um baile naquela que chupava bico e era ainda mais buchechuda.)

se ali, naquele espaço de tempo inutilizado pela nossa carranca e falta de abertura com as pessoas ao nosso redor, os problemas fossem compartilhados, assim como as alegrias, certamente o caminho até o trabalho seria revelador, gargalhante, confortante e até mesmo familiar...

enfim... passei a viagem inteira em silêncio, afundada na minha imaginação e também me sentindo a criatura mais estúpida da face da Terra por não conseguir dar bom dia ao senhor que estava ao meu lado e que passou mais tempo comigo do que o meu pai no dia de hoje...

o que me diferenciou dos demais passageiros silenciosos?... NADA... boas ideias que não são expostas são um NADA bem redondo e insignificante... sabe quem fez a diferença dentro daquele cubículo retangular e abafado?... o mocinho, de boné com aba reta, que passou pela roleta, se sentou bem sim, senhor e colocou um superultramegarblaster funk a todo o volume, fazendo as pessoas ao seu redor mudar a carranca (piorá-la) e mexer o esqueleto (movendo a cabeça num sinal de desaprovação total)...

"pelo menos alguma reação" – pensei eu, piorando a carranca e desaprovando o rapazinho, como todos ao meu redor...

sábado, 16 de abril de 2011

cada um por si e deus por mim!



tenho me sentido tão mais peixe fora d'água do que o habitual nesta realidade individualista que a minha vida "adulta" tem, infelizmente, presenciado... coisas pequenas, manifestações bestas de um individualismo fedido, sujo, egoísta... estão todos se escondendo mais e mais a cada dia dentro de seus lares "perfeitos", dentro de seus cotidianos "perfeitos", se cagando de medo que alguma coisa ou alguém interfira em suas vidas tão empenhadamente planejadas, rumo a um muito material e a um nada essencial... estão todos vivendo suas vidas, apenas suas vidas, nada mais do que suas vidas, literalmente fodendo para o que está ao redor, para o que sai do terreno do próprio umbigo... esse individualismo capacita as pessoas a se colocarem em uma posição de eterna vitimização de tudo... nesse mundo individual, o vilão é sempre o outro, o mocinho é sempre o "eu"... as dores das pessoas são sempre as mais insuportáveis, as tristezas são sempre as mais dramáticas, os tombos são sempre os mais altos...

PERAÍ!

que porra de mundo é esse!
véio do céu, puxa o freio de mão dessa nave que eu quero descer!
ah, tu não vai parar? tudo bem, abre essa porta mesmo assim, porque eu vou descer, com ou sem para-quedas!

EU NÃO SOU ASSIM! eu não quero isso para o meu coração, para o meu espírito!... é tão dolorido captar tudo isso... dolorido mesmo... dá um nó na garganta, um vazio triste, uma desesperança cinza... será que bendito são os que vivem sem pensar, os que simplesmente "aproveitam" a vida sem se atingir com nada?... ou será que estamos aqui para isso, para irmos contra essa maré tsunâmica, segurando com unhas, dentes e o que mais for possível nossos princípios, nossa anormalidade, que nos distingue dessa massa, dessa maioria umbigal?... não sei... não sei de mais nada... sei que não vou desistir...

estamos todos no mesmo barco, na mesma nave, no mesmo lugar!
não é complicado dar-se conta disso... é só olhar para o lado.

terça-feira, 12 de abril de 2011

sonho


minha inspiração só vem com uma gota de tristeza, de saudade, de aperto no peito, de indignação... e quando se está no piloto automático? como é que faz?... cato fito paez, drexler, caetano, teatro mágico... 

"sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar"... é o que me grita pelo youtube o vocalista do teatro mágico, com sua face que só é bonita quando está pintada de de palhaço, de irrealidade, de sonho... 

me olho no espelho e o piercing que há 13 anos mora na minha sobrancelha hoje parece uma pulguinha feia e mal educada... a argola do meu nariz parece ser a mais estranha do universo e os meus olhos grandes (brilhosos?) parecem ter engolido meu rosto buchechudo... estou feia... será que preciso de uma camada de sonho na minha realidade?... o espelho me grita que sim... um sim sem cor, desesperado por um nariz vermelho... 

me perco de mim mesma dentro deste aquário cheio de regras ortográficas, linhas espaçadas por diagramar, contas pra pagar, feridas pra curar... mergulho numa razão que me faz medir, milímetro por milímetro, palavras, passos, gestos e pensamento, como se essa medição fosse essencial para a boa impressão na gráfica deste livro, que é a minha vida... assim, deixo o sonho pra trás, a cor pra trás, o esquecimento de acordar para trás...

às vezes é essencial anular a existência do soneca do despertador e esquecer de acordar para colorir nossa vida de sonho.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

instinto

ressucitar alguém, insistir na massagem cardíaca, trocar os curativos diariamente... ajudar alguém sem medir esforços, sem julgar, sem se perguntar porque... por que as pessoas são tão resistentes a isso? por que as pessoas olham apenas para si, se não vivem sozinhas no mundo, se dependem do mundo para viver?... essas perguntas foram tão gastas e banalizadas pelos livros de autoajuda (agora sem hífen!) que abarrotam as livrarias de todo o mundo, falar delas parece meio idiota.

(não consigo ser impessoal... me esforço, mas não rola... então, para tentar sair da "idiotice" trivial da autoajuda, tão necessária e tão respeitada por mim, meu coração vai falar...)

o que vou escrever e mostrar aqui, com o coração e sem me preocupar com a nova ortografia, é pra ti, que me julga por estar me dedicando a uma pessoa, pessoa esta que eu amo e que me fez e me faz muito feliz... pra ti, que pede para eu seguir minha vida e largar esse "problema"... pra ti, que se distanciou de mim por não querer se influir, por não querer entrar no "rolo"... pra ti, que no teu jantar perfeito em família me julga por ter aberto as portas da minha casa e da minha vida para salvar uma vida... é pra ti, que olha para mim e faz um estúpido tsc, tsc, tsc com a cabeça...

!

caralho! 
ser uma pessoa boa é bom! 
fazer o bem é bom! 
sujeitar-se a uma nova situação para evoluir é bom! 
mudar a rotina em prol de uma vida é bom!
ver feridas, que antes eram chagas, cicatrizadas porque minhas mãos a curaram pacientemente, dia a dia, é bom!

não, não é trabalhoso, não é sacrifício nenhum, não é o fim do mundo
...
é o começo!
isso tudo é vida, isso tudo é fazer a vida valer a pena.
isso tudo é instinto. instinto de quem ama. instinto de quem é bom.

a produção pode não ser 100%, tu não vai encontrar um homem sem os membros falando em público e dando uma baita lição de vida... tu... tu mesmo... aperta nesse link e se sente o cocô da mosca que estava no cocô do cavalo do bandido:


se ele não desistiu... ele, que não é racional (ao menos é o que dizem por aí... coisa que eu discordo em gênero, número e grau), não desistiu... porque eu vou desistir?

quando foi que tudo ficou ao contrário?
é, nando reis... o mundo está ao contrário e ninguém nos falou...

quarta-feira, 30 de março de 2011

como ter esperanças?


estudo.
me alimento bem.
trabalho.
rezo.
separo o lixo.
dou bom dia ao frentista.
costumo agradecer (até mesmo quando não é preciso) com facilidade.
dou moedinha ao velhinho para ele comprar cachaça.
compro balinha de goma do guri.
faço o bem sem olhar a quem (bem como o ditado diz).
a bandeira do brasil, em alguns raros casos, quando me é vista, me causa um arrepio diferente... deve ser patriotismo, sei lá...
dou boa noite ao wiliam bonner e à fátima bernardes, esperando boas notícias.
choro com o luciano huck e sua bondade sem igual.

sou uma pessoa boa.
sim.
sou uma guria bonachona, daquelas que chegam ao ponto do gráfico chamado "quase idiota".
assumo minhas atitudes, desde tirar tatu do nariz até acompanhar, durante 11 anos (sim, mais de uma década!) o big brother brasil... assisto porque gosto, assisto porque uma burrice televisiva cai bem depois de um dia de revisão de um livro complexo e assisto por acreditar... acreditar nas pessoas, acreditar que aquilo registrado e bilionariamente planejado possa ser um retrato (ou um reflexo?) da minha sociedade, da minha tribo... 

eis que o retrato do brasil foi tirado ontem, por um lambe-lambe cretino... ou seria por uma câmera digital de última geração, que detecta a alma social?... prefiro ficar com o lambe-lambe... seria crueldade demais o resultado do BBB de ontem ser um reflexo deste brasil tão bonito, tão caloroso, tão brasil... ao ficar boquiaberta com o resultado, me saiu um texto tão bacana pela boca... pensei em correr para o computador e escrever, mas a preguiça e o frio outonal foram maiores do que a minha vontade de registrar minha indignação...

havia 3 personagens, brasileiros em essência, bem ali, à mercê de todo o país, à espera de um milhão e meio de reais... 3 retratos facilmente descritos: 
retrato número 1: o médico bem educado;
retrato número 2: o homem gracioso, que faz o bem para os velhinhos;
retrato número 3: a vagabunda, que tira as calcinhas e esfrega sua literal buceta na cara de um pobre coitado.
quem ganhou? quem foi escolhido pela maioria (e isso nos faz subentender que a maioria identificou-se com ela)?
o retrato número 3 ganhou.
o brasil "narciseando" maria, o perfil do brasil, a personalidade que dá certo no brasil, a fórmula de ganhar um milhão e meio no brasil...

dou as costas para a tv.
sinto uma raiva que me dói o estômago, seguida por uma vergonha. uma vergonha nacional.
fecho os olhos, rezo, durmo, dou continuidade à minha vida (correta em todos os sentidos)... e, sabe para onde ela vai me levar?
para um milhão e meio é que não é.

quinta-feira, 24 de março de 2011

desistir


desistir seria o contrário de insistir?
ou seria o antônimo de acreditar?

hoje penso em desistir em nome do que acredito,
hoje penso em desistir como prova de uma insistência forte, uma insistência visceral por algo que acredito.

mas
quando se acredita não se desiste,
quando se insiste, não se desiste – ele me fala com os olhos e deixa escapar um "não desiste da gente" pelos poros, pelas lágrimas que insistem em cair enquanto prometemos um ao outro que não falaremos mais do amanhã, enquanto prometemos um ao outro, mentindo descaradamente, que o nosso amanhã solitário não nos desespera.

recorro ao sagrado michaelis online, afim de tornar estas palavras um pouco universais, já que não consigo escapar desta maldita primeira pessoa, o que torna minha palavra tão pessoal que beira ao insuportável de ser lido por outros:

desistir 
de.sis.tir
(lat desistire) vti e vint 1 Não continuar, não prosseguir (num intento); renunciar: Desisto de o mandar à aula. Descoroçoou um pouco, mas não desistiu. vti 2 Desdizer-se, retratar-se: Desistiu de tudo quanto disse ou escreveu. vti 3 Exonerar-se: Desistiu do emprego. vtd 4 gír Defecar, evacuar: "Apertou a barriga do gambá e o bicho desistiu as dez pratinhas" (Mário de Andrade)

para onde me levará essa evacuação, essa renúncia, esse desdizer o meu coração, esse exonerar um amor, esse defecar (que melhor se traduz por "merda")?

por que penso em desistir?
por estar fraca, exausta, desacreditada.
tá aí: hoje o desistir se mistura no meu acreditar e na minha insistência, mas se encaixa no meu desacreditar.
* tudo bem, papai-pinguim, que tu não segurou a barra e deixou o ovinho do nosso filhote tocar o chão gélido... outra etapa fértil virá, estaremos juntos no passar das estações, faremos amor novamente e geraremos nosso ovinho com a cumplicidade de sempre, a mesma cumplicidade que nos aquece do frio e que nos faz compartilhar a comida... desta vez, tu vai conseguir segurá-lo e eu vou conseguir chegar a tempo para revezar contigo... não pensa que eu te abandonei, só estava buscando alimento para o nosso filhote... vamos, papai-pinguim, não desiste!

(às vezes um tapinha nas costas fala mais do que um discurso "obamórico"...)

quarta-feira, 23 de março de 2011

essência



sólo se trata de caminar, vas caminando, no hay nada más... vas ensayando la música, vas escribiendo tu libro... é o que o meu sempre Fito me grita pelas minhas vagabundas caixas de som... paro e penso: por que diabos levantei da cama hoje?

tantas respostas... quero renovar minhas esperanças, terminar de revisar um livro para tão logo começar outro, quero me tornar uma pessoa melhor, quero aprender, quero sentir, quero resolver minhas equações, "exclamacionar" minhas interrogações e criar novas... quero caminhar, caminar...

tantas e tantas vezes já escrevi sobre não questionar-se tanto acerca das coisas, sobre deixar o tempo falar, sobre caminar y nada más e tantas e tantas vezes se faz necessário lembrar do quanto é preciso policiar-se para não se questionar demais e, assim, fazer com que o encanto perca o sentido... o arco-íris da vida está apenas no caminhar, sem grandes conclusões, sem mirabolantes e ambiciosos planejamentos... para que um livro tenha pé e cabeça, é preciso escrevê-lo página por página, e não escrever na página 27 o é planejado para a página 28... corre-se o risco de perder a velhinha na janela a refletir, o gosto do café cremoso pela manhã, o casal trocando amor no carro ao lado, o rabo do cachorro a festejar nossa existência, o beijo de bom dia de mãe, o morango doce da sobremesa.

para viver o hoje, para caminhar sem tropeçar no ontem, é preciso alimentar a essência com muito amor, segurança, harmonia e literal essência... estou tratando de fazer isso com cada conflito que aparece nesta minha cabeça cheia de brincos e neste meu coração tão estufado de amor...

o dia que eu me perguntar o motivo de eu ter levantado o meu corpo da cama e ter despertado o meu espírito do inconsciente será o dia que a minha essência estará gritando por socorro por falta de recheio.

segunda-feira, 21 de março de 2011

mudança




e onde está escrito que temos que dançar conforme a música, que temos que seguir um padrão de comportamento, de cotidiano, de felicidade
?
e quem tem a ousadia de atirar pedra no meu teto de vidro, alegando ter uma vida longe de riscos e completamente feliz?
...
vontade de mudar de vida, ir contra a maré, ou melhor, mudar o rumo da maré... não é por ninguém, é por mim, é para me livrar desse ranço que me coloca tão pra baixo, tão inferiorizada, tão nada-eu... e é tão bom ser eu mesma no aconchego das minhas certezas e incertezas, dos meus sentimentos, das minhas loucuras mentais, das minhas missões espirituais...


vontade de sair pelo mundo, pular as ondas do mar, andar de pés descalços, optar por uma tranquilidade com a flexibilidade de poluir meus pulmões com dióxido de carbono quando eu precisar... vontade, vontade, vontade...


segunda-feira.
e que a anormalidade impere.
que continue a imperar.

quinta-feira, 17 de março de 2011

amizade


Acordei com a palavra amizade na cabeça.
Na verdade, dormi pensando no sentido deste relacionamento – o de amigos.
Sempre fui solitária, sozinha.
Por opção?
Não. Eu diria que por preguiça, até mesmo por descrença... ou então por poesia.
O que é ser amigo de alguém, afinal, sem pieguices (ando querendo escrever sobre coisas manjadas, como a amizade, como a espera)?
Para a solitária aqui, amizade se resume na rara capacidade que uma pessoa pode desenvolver de colocar-se VERDADEIRAMENTE no lugar da outra e entendê-la, viver o problema e a alegria sem julgamentos, sem rótulos.
E hoje, com esse mundo individual do caramba, essa capacidade parece não caber no mundinho “umbigal” de cada um... e escrevo “cada um” sem me inserir nessa, pois eu, sim, me coloco no lugar das pessoas... não é tão difícil, nem parece ser difícil para escrever que não é tão difícil quanto parece... é só exercitar uma outra palavrinha piegas e complexa chamada AMOR.
Tenho sentido falta de pessoas que me amem de verdade, que me amem no sentido literal da palavra, a ponto de se colocar no meu lugar, e não de apenas me julgar, me repelir, fazer um “não, não, não” com a cabeça estúpido e egoísta.
Enquanto muitos me negam um pedido de socorro sutil por uma amizade, seja por medo de ver que estou passando por uma situação doída, seja por não concordar com minhas opções, eu continuo a mesma idiota (como diz a minha AMIGA Cacá) a pensar nos outros, a fazer pelos outros, a ser amiga dos outros, “outros” esses que, inclusive, não são meus amigos.
Acabou minha inspiração sobre isso.
Amizade às vezes me enoja.
* enquanto sou negada (sem o tom adolescente rebelde) por muitos para não afetar a vidinha de sorvete deles, meu Adolfo me desperta sutilmente toda a manhã, apenas com a sua sombra próximo à porta, exatamente na hora que eu preciso levantar para seguir a vida, renovar minhas esperanças...