quarta-feira, 30 de março de 2011

como ter esperanças?


estudo.
me alimento bem.
trabalho.
rezo.
separo o lixo.
dou bom dia ao frentista.
costumo agradecer (até mesmo quando não é preciso) com facilidade.
dou moedinha ao velhinho para ele comprar cachaça.
compro balinha de goma do guri.
faço o bem sem olhar a quem (bem como o ditado diz).
a bandeira do brasil, em alguns raros casos, quando me é vista, me causa um arrepio diferente... deve ser patriotismo, sei lá...
dou boa noite ao wiliam bonner e à fátima bernardes, esperando boas notícias.
choro com o luciano huck e sua bondade sem igual.

sou uma pessoa boa.
sim.
sou uma guria bonachona, daquelas que chegam ao ponto do gráfico chamado "quase idiota".
assumo minhas atitudes, desde tirar tatu do nariz até acompanhar, durante 11 anos (sim, mais de uma década!) o big brother brasil... assisto porque gosto, assisto porque uma burrice televisiva cai bem depois de um dia de revisão de um livro complexo e assisto por acreditar... acreditar nas pessoas, acreditar que aquilo registrado e bilionariamente planejado possa ser um retrato (ou um reflexo?) da minha sociedade, da minha tribo... 

eis que o retrato do brasil foi tirado ontem, por um lambe-lambe cretino... ou seria por uma câmera digital de última geração, que detecta a alma social?... prefiro ficar com o lambe-lambe... seria crueldade demais o resultado do BBB de ontem ser um reflexo deste brasil tão bonito, tão caloroso, tão brasil... ao ficar boquiaberta com o resultado, me saiu um texto tão bacana pela boca... pensei em correr para o computador e escrever, mas a preguiça e o frio outonal foram maiores do que a minha vontade de registrar minha indignação...

havia 3 personagens, brasileiros em essência, bem ali, à mercê de todo o país, à espera de um milhão e meio de reais... 3 retratos facilmente descritos: 
retrato número 1: o médico bem educado;
retrato número 2: o homem gracioso, que faz o bem para os velhinhos;
retrato número 3: a vagabunda, que tira as calcinhas e esfrega sua literal buceta na cara de um pobre coitado.
quem ganhou? quem foi escolhido pela maioria (e isso nos faz subentender que a maioria identificou-se com ela)?
o retrato número 3 ganhou.
o brasil "narciseando" maria, o perfil do brasil, a personalidade que dá certo no brasil, a fórmula de ganhar um milhão e meio no brasil...

dou as costas para a tv.
sinto uma raiva que me dói o estômago, seguida por uma vergonha. uma vergonha nacional.
fecho os olhos, rezo, durmo, dou continuidade à minha vida (correta em todos os sentidos)... e, sabe para onde ela vai me levar?
para um milhão e meio é que não é.

quinta-feira, 24 de março de 2011

desistir


desistir seria o contrário de insistir?
ou seria o antônimo de acreditar?

hoje penso em desistir em nome do que acredito,
hoje penso em desistir como prova de uma insistência forte, uma insistência visceral por algo que acredito.

mas
quando se acredita não se desiste,
quando se insiste, não se desiste – ele me fala com os olhos e deixa escapar um "não desiste da gente" pelos poros, pelas lágrimas que insistem em cair enquanto prometemos um ao outro que não falaremos mais do amanhã, enquanto prometemos um ao outro, mentindo descaradamente, que o nosso amanhã solitário não nos desespera.

recorro ao sagrado michaelis online, afim de tornar estas palavras um pouco universais, já que não consigo escapar desta maldita primeira pessoa, o que torna minha palavra tão pessoal que beira ao insuportável de ser lido por outros:

desistir 
de.sis.tir
(lat desistire) vti e vint 1 Não continuar, não prosseguir (num intento); renunciar: Desisto de o mandar à aula. Descoroçoou um pouco, mas não desistiu. vti 2 Desdizer-se, retratar-se: Desistiu de tudo quanto disse ou escreveu. vti 3 Exonerar-se: Desistiu do emprego. vtd 4 gír Defecar, evacuar: "Apertou a barriga do gambá e o bicho desistiu as dez pratinhas" (Mário de Andrade)

para onde me levará essa evacuação, essa renúncia, esse desdizer o meu coração, esse exonerar um amor, esse defecar (que melhor se traduz por "merda")?

por que penso em desistir?
por estar fraca, exausta, desacreditada.
tá aí: hoje o desistir se mistura no meu acreditar e na minha insistência, mas se encaixa no meu desacreditar.
* tudo bem, papai-pinguim, que tu não segurou a barra e deixou o ovinho do nosso filhote tocar o chão gélido... outra etapa fértil virá, estaremos juntos no passar das estações, faremos amor novamente e geraremos nosso ovinho com a cumplicidade de sempre, a mesma cumplicidade que nos aquece do frio e que nos faz compartilhar a comida... desta vez, tu vai conseguir segurá-lo e eu vou conseguir chegar a tempo para revezar contigo... não pensa que eu te abandonei, só estava buscando alimento para o nosso filhote... vamos, papai-pinguim, não desiste!

(às vezes um tapinha nas costas fala mais do que um discurso "obamórico"...)

quarta-feira, 23 de março de 2011

essência



sólo se trata de caminar, vas caminando, no hay nada más... vas ensayando la música, vas escribiendo tu libro... é o que o meu sempre Fito me grita pelas minhas vagabundas caixas de som... paro e penso: por que diabos levantei da cama hoje?

tantas respostas... quero renovar minhas esperanças, terminar de revisar um livro para tão logo começar outro, quero me tornar uma pessoa melhor, quero aprender, quero sentir, quero resolver minhas equações, "exclamacionar" minhas interrogações e criar novas... quero caminhar, caminar...

tantas e tantas vezes já escrevi sobre não questionar-se tanto acerca das coisas, sobre deixar o tempo falar, sobre caminar y nada más e tantas e tantas vezes se faz necessário lembrar do quanto é preciso policiar-se para não se questionar demais e, assim, fazer com que o encanto perca o sentido... o arco-íris da vida está apenas no caminhar, sem grandes conclusões, sem mirabolantes e ambiciosos planejamentos... para que um livro tenha pé e cabeça, é preciso escrevê-lo página por página, e não escrever na página 27 o é planejado para a página 28... corre-se o risco de perder a velhinha na janela a refletir, o gosto do café cremoso pela manhã, o casal trocando amor no carro ao lado, o rabo do cachorro a festejar nossa existência, o beijo de bom dia de mãe, o morango doce da sobremesa.

para viver o hoje, para caminhar sem tropeçar no ontem, é preciso alimentar a essência com muito amor, segurança, harmonia e literal essência... estou tratando de fazer isso com cada conflito que aparece nesta minha cabeça cheia de brincos e neste meu coração tão estufado de amor...

o dia que eu me perguntar o motivo de eu ter levantado o meu corpo da cama e ter despertado o meu espírito do inconsciente será o dia que a minha essência estará gritando por socorro por falta de recheio.

segunda-feira, 21 de março de 2011

mudança




e onde está escrito que temos que dançar conforme a música, que temos que seguir um padrão de comportamento, de cotidiano, de felicidade
?
e quem tem a ousadia de atirar pedra no meu teto de vidro, alegando ter uma vida longe de riscos e completamente feliz?
...
vontade de mudar de vida, ir contra a maré, ou melhor, mudar o rumo da maré... não é por ninguém, é por mim, é para me livrar desse ranço que me coloca tão pra baixo, tão inferiorizada, tão nada-eu... e é tão bom ser eu mesma no aconchego das minhas certezas e incertezas, dos meus sentimentos, das minhas loucuras mentais, das minhas missões espirituais...


vontade de sair pelo mundo, pular as ondas do mar, andar de pés descalços, optar por uma tranquilidade com a flexibilidade de poluir meus pulmões com dióxido de carbono quando eu precisar... vontade, vontade, vontade...


segunda-feira.
e que a anormalidade impere.
que continue a imperar.

quinta-feira, 17 de março de 2011

amizade


Acordei com a palavra amizade na cabeça.
Na verdade, dormi pensando no sentido deste relacionamento – o de amigos.
Sempre fui solitária, sozinha.
Por opção?
Não. Eu diria que por preguiça, até mesmo por descrença... ou então por poesia.
O que é ser amigo de alguém, afinal, sem pieguices (ando querendo escrever sobre coisas manjadas, como a amizade, como a espera)?
Para a solitária aqui, amizade se resume na rara capacidade que uma pessoa pode desenvolver de colocar-se VERDADEIRAMENTE no lugar da outra e entendê-la, viver o problema e a alegria sem julgamentos, sem rótulos.
E hoje, com esse mundo individual do caramba, essa capacidade parece não caber no mundinho “umbigal” de cada um... e escrevo “cada um” sem me inserir nessa, pois eu, sim, me coloco no lugar das pessoas... não é tão difícil, nem parece ser difícil para escrever que não é tão difícil quanto parece... é só exercitar uma outra palavrinha piegas e complexa chamada AMOR.
Tenho sentido falta de pessoas que me amem de verdade, que me amem no sentido literal da palavra, a ponto de se colocar no meu lugar, e não de apenas me julgar, me repelir, fazer um “não, não, não” com a cabeça estúpido e egoísta.
Enquanto muitos me negam um pedido de socorro sutil por uma amizade, seja por medo de ver que estou passando por uma situação doída, seja por não concordar com minhas opções, eu continuo a mesma idiota (como diz a minha AMIGA Cacá) a pensar nos outros, a fazer pelos outros, a ser amiga dos outros, “outros” esses que, inclusive, não são meus amigos.
Acabou minha inspiração sobre isso.
Amizade às vezes me enoja.
* enquanto sou negada (sem o tom adolescente rebelde) por muitos para não afetar a vidinha de sorvete deles, meu Adolfo me desperta sutilmente toda a manhã, apenas com a sua sombra próximo à porta, exatamente na hora que eu preciso levantar para seguir a vida, renovar minhas esperanças...

segunda-feira, 14 de março de 2011

fitopaezando


14 de março.

cumpleaños do meu amigo fito páez.

começo o dia com "
cuando niño preguntaba si el río llegaría algún día al mar. Una voz que andaba por ahí me dijo: tiempo al tiempo'."

olho para o meu pulso esquerdo e vejo tatuado bem ali um
tiempo al tiempo, com ponteiros de um relógio guiados por veias movidas por um coração tão bom que torna esta bondade a minha maior virtude e o meu maior veneno. um tiempo al tiempo que me lembre o quanto é necessária e vital a paciência e a confiança no tempo, no destino e nessa força que guia os meus dias para um amanhã colorido e felizmente merecido.

começa a semana, o ano.
ontem, o faustão deseja a todos um feliz ano novo, já que o ano vai começar para os brasileiros amanhã... sinto uma vergonha imensa de ser quem eu sou, de estar onde estou, de ter esperado um desejo de feliz ano novo de um bossal televisivo para acordar como acordei hoje - disposta a começar o ano.

é óbvio que não foi o fausto silva o dono de tal motivação... essa foi uma tentativa frustrada de uma escrita com pé e cabeça. mas eu não sou assim, eu não tenho pé, tampouco cabeça. tenho um coração imenso que dá o compasso do meu caminhar... coração este que acredita no amanhã, que acredita no hoje, que acredita no tempo, no tiempo al tiempo.

ao meu "mais melhor" e mais compreensivo amigo fito páez, desejo o desejo mais egoísta do planeta: que continue carregando minha buena estrella, iluminando minha diáfana mirada e me lembrando que o melhor a fazer, na maioria das vezes, é dar tiempo al tiempo.

e é com blush nas minhas buchechas infantis e com a certeza de que o melhor acontecerá para a gente é que começo a semana... e uma pitada generosa de individualismo vai temperar os dias que virão.

sábado, 12 de março de 2011

curativo





12 de março.

já 27 anos.

há menos de 10 metros, cenas literalmente cirúrgicas acontecendo com o meu amado.

e eu aqui, com vontade de comer uma bola de sal, seguida por um ouro branco inteirinho dentro desta minha boca pequena.

"eta, ansiedade" – grita a enfermeira, tão íntima há tanto tempo.

enquanto os curativos são feitos nos seus ferimentos, busco a minha atadura, o meu dersani, o meu antibiótico, o meu iodo aquoso no michel melamed, no chico buarque, no caio... coisa mais piegas escrever sobre um coração, uma alma machucada... coisa mais ridícula comparar os curativos físicos dele com a minha confusão mental, com a minha dor neste meu coração seco.

há dias não durmo bem. 9 dias, mais precisamente... tenho dormido no chão, ao lado dele. tenho tentado aliviar a dor dele, tenho tentado um desapego forçado, no meio disso tudo... tenho "tentado" tanta coisa.

tantos valores mudando, tanta coisa passando por essa minha cabeça que ainda abriga um corte de cabelo fracassado... ainda não é hora de pensar no amanhã, na definição do que fazer... aos poucos, as queimaduras de 2º grau dão lugar a uma pele rosada... aos poucos, o que antes era acamado, vira passos lentamente dados...

"quando tu tiver condições de sair comigo para tomarmos um refrigerante em algum lugar, vamos decidir a nossa situação... enquanto isso, não vamos pensar nisso, combinado?"... ele solta um "combinado" lacrimoso, selando a minha grande mentira... ali, no chão da sala, com o meu dadivoso colchão de molas, na escuridão quebrada pela luz da tv, penso em nós dois em silêncio... ele faz o mesmo, olhando para a parede, logo depois desse "combinado" lacrimoso...

hoje, essa continuação de uma vida diáfana me exige uma resignação, uma aceitação e paciência sem tamanho...

a vida é pra isso.
vamo que vamo.

quarta-feira, 2 de março de 2011

esperar



Procurei na internet alguma imagem que resumisse a palavra, o verbo esperar, já que eu queria falar sobre ela, sobre a espera... uma montanha de imagens vieram... imagens lindas e nostálgicas... me dei conta de que é um assunto nada original, já que inúmeras fotos baixadas pelo nosso sempre salvador Google têm como nome a tal da espera, o tal do esperar... sempre, sempre desesperador, seja esta espera boa ou ruim...


(é estranho como uma palavra fica estranha quando ela é repetida diversas vezes, quando ela é focadamente refletida)


Hoje, espero.
Espero o tempo passar, a tarde passar para ir até ele, fazer sorrir aquela boquinha machucada.
Espero o corpo dele trabalhar, as células se recomporem.
Espero a dor dele ir embora, acreditando que a minha mão na dele tem o poder de sanar parte do que a morfina é incapaz de tirar.
E, como uma criança inocente que acredita que o pobre mendigo é o véio do saco, todas as noites espero acordar, tê-lo ao meu lado, me acordando às pressas, sem muito romantismo, e me contando no café da manhã que teve um sonho ruim... sonhou que tinha recaído, que um ônibus tinha atingido ele e que ele agonizava de dor no hospital...


Estou triste.
Não quero mais esperar.
Não quero reagir.
Quero ficar quietinha, ao lado dele, o que me faz, automaticamente, estar ao meu lado por completo.

terça-feira, 1 de março de 2011

(re)continuar


1º de março.
primeiro dia do mês, do "meu" mês.
primeira publicação de um novo blog... sem novas histórias, como o nome do blog já diz, aqui será a CONTINUAÇÃO de uma vida diáfana...


por aqui seguem as minhas palavras, já que o www.fotolog.com.br/garota_tictac teve que ser interditado porque os olhos dela tinham o poder de me transmitir uma negatividade contagiosa... infelizmente, o mal muitas vezes é mais forte do que o bem.


agora, eis um novo espaço, com mais ferramentas, com mais privacidade... novo espaço este que abrigará minhas divagações, indignações, interrogações e quantos mais ões de emoções surgirem pelo caminho... blog, blogspot... toda essa tecnologia para substituir o clichê "querido diário"...