domingo, 24 de abril de 2011

amargo renascimento doce



páscoa: ressurreição de jesus cristo.

nunca fui adepta ao "idolatrismo" a jesus cristo na sua cruz, morrendo por nós, pecadores e blablabla... estudei os 11 anos de estudo básico em uma escola completamente católica... era a escola que oferecia melhores condições de educação nos arredores... meus pais sempre ressaltavam que não era para eu me entregar àquele sistema... que era para eu respeitar, mas não esquecer da minha essência espiritualista... mesmo novinha, defendia minha opinião, mesmo que ela fosse diferentes de TODOS, mesmo que eu fosse crucificada, como o tal do rapaz que me olhava o tempo inteiro encima do quadro negro... tenho a lembrança interessante de uma aula de religião, onde o professor nos levou ao altar da igreja da escola, falou sobre a páscoa e depois pediu o meu ponto de vista assim: agora, pessoal, vamos saber o que acha a nossa colega maitê, que é espírita... nunca achei aquele apontamento ruim... na verdade, aquilo me dava uma gana gostosa para estudar mais sobre a doutrina espírita e ter bala na agulha para trocar ideias com o professor...

mas não era sobre isso que eu queria escrever... sabia que eu ia fugir do assunto...

o doce da páscoa ameniza o amargo necessário da MINHA páscoa... há 5, 6 anos (faço questão de não lembrar com precisão algumas datas), meus pais se separaram... eu já estava na casa dos vinte e sofri como uma criança de 5 anos, e não entendi porra nenhuma como uma criança de 9 anos... era fim de semana de páscoa e meus pais, com a sabedoria de sempre, pediram para que minha irmã e eu saíssemos de casa... sabíamos que na volta ele não estaria mais... aquilo foi amorosamente calculado, para evitar a dor inevitável... prefiro me poupar dos detalhes ruins... acredito que a palavra que melhor traduz o que senti ao voltar para casa, depois de um passeio cinza pela redenção, é VAZIO... um vazio sem medida... costumo dizer que é pior do que a morte, pois o vazio da morte é inevitável... por muito tempo meu complexo-assumido-de-édipo me fez chorar até eu achar que não tinha mais lágrima dentro de mim... até hoje, quando ele vem me visitar, disfarço como criança encabulada e não o vejo ir embora... não consigo... choro.

5, 6  páscoas já passadas, entendo que aquela páscoa cinza, dolorida e vazia foi uma literal páscoa, páscoa com P maiúsculo, PÁSCOA em caps lock... foi o renascimento de um homem, de um pai, de uma mulher, de uma mãe, de uma menina, de uma filha... 5, 6 páscoas já passadas e lá estávamos nós, renascidos e ainda unidos num ainda abraçado, num ainda verdadeiro, num ainda essencial, enfim, num ainda que será para sempre.

domingo de páscoa, 21:10... estou com um sapo gordo na garganta, uma tristeza de filha-complexada-edipamente... domingo de páscoa, 21:11... o ovão de cereja escolhido pelo meu pai e o amor da sua vida me lembram o quanto o renascimento foi necessário para que eu estivesse bem aqui, como estou, RENASCIDA... 

alguma doutrina por mim estudada em alguma altura desta minha vigésima sétima tão curta vida diz que nascer é dolorido para o espírito, pois ele terá, a partir do momento do corte do cordão umbilical, que viver com as limitações terrenas... minha experiência pascoal e vital afirma o quanto é dolorido renascer, mas ter a chance de nascer de novo nesta vida tão docemente limitada é bonito demais, é especial demais... é compensador.

renascer é preciso.
dia após dia.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

muda tudo muda


E o que se faz quando os conceitos mudam, quando a realidade muda e simplesmente não queremos que isso aconteça, que tais coisas mudem, “saiam do lugar”, sejam substituídas por situações novas?... me sinto uma senhora católica, sentada na varanda da sua casa, com sua toalhinha de crochê inacabada no colo e um coque grisalhinho, grisalhinho enrolando as longas madeixas preservadas por décadas e décadas... um vento estranho assobia no meu ouvido, sutilmente me dizendo para dançar conforme a música... ao mesmo tempo, um empurrão debochado me derruba no sofá e, sem pudores, me diz: olha ao teu redor, Maitê Cena, tudo mudou e tu continua aí, querendo que tudo continue sendo como foi há muito tempo e como nunca mais será, pois o tempo passa e assim é o ciclo da vida...

Conto para o meu pai que esses dias minha irmã foi jantar na nossa casa, e que minha mãe “desfez” da presença dela, e que seguiu com sua rotina internetística, e que eu, afim de ter um tempo em família, peço para a minha mãe sair do computador e vir para a sala para ficarmos juntas como antes, e que minha irmã, sem dar tempo da cadeira esfriar, toma o lugar dela na frente do computador, e que minha mãe ficou me olhando com cara de tacho, e que chorei feito uma criança com medo do escuro debaixo do lençol à noite, e que, e que, e que... meu pai dá uma risada sábia que, como um copo dágua, faz descer o choro trancado que estava na minha garganta...

"As coisas mudam, Maitê"... e se eu não quiser que as coisas mudem, pai? e se eu não aceitar que as coisas mudem, pai? e se eu bater pé que eu quero que tudo continue igual, pai? o que vai acontecer?... "As coisas vão continuar mudando, Maitê... está na hora de tu se desligar um pouco de todos ao teu redor e se mimar um pouco"... pronto, pai, fim de papo, senão vou acabar chorando no meio do corredor dos chocolates e isso seria uma heresia... damos risada juntos e seguimos as compras...

digerir algumas mudanças me são tão indigestas... ver nos olhos nublados do meu vô o medo da morte, que hoje bateu na sua porta para avisar que seu único irmão vivo está quase partindo, me dói tanto... será que não devia doer, pai? hein, empurrão debochado, será que eu preciso seguir meu baile sem me atingir com essas mudanças?... e tu, ventinho bobo, que me sopra verdades cinzas, acha que tenho que ter fôlego para dançar conforme a música?

é claro que muitas coisas mudam, mas em essência continuam bonitas coloridas... me despeço da primeira garopaba que minha irmã fará sem mim uma despedida rápida, mas o silêncio dela na fila do subway e a mãozinha magra dela na minha falam mais do que um discurso ou um depoimento no orkut... o "tiiiita mococa do vô" que o meu véio me fala sempre que me dá aquele abraço gostoso é o mesmo de quando os braços dele podiam me tocar para cima num abraço... é isso que vale, é isso que fica, é isso que me faz lembrar que o mundo todo pode mudar, mas o que em essência existe vai comigo por onde eu for...

"E o fim é belo incerto... depende de como você vê... O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só..."

terça-feira, 19 de abril de 2011

viagem imaginativa


hoje de manhã enfrentei um ônibus lotado... tinha esquecido o quanto aquilo me fazia pensar... aquele amontoado de gente ocupando o mesmo espaço, todos muito sérios, todos dentro dos seus pensamentos, problemas, alegrias, frustrações e euforias... sempre imaginei como seria uma viagem de ônibus se as pessoas conversassem entre si naturalmente... nesta imaginação cabe até um chimarrão passando de mão em mão e uma rapadura partida em pedacinhos dividida entre os que ali estão...

(quando eu era criança, eu pensava que deixaria de imaginar coisas assim quando crescesse... aconteceu que eu não cresci muito e minha imaginação de hoje dá um baile naquela que chupava bico e era ainda mais buchechuda.)

se ali, naquele espaço de tempo inutilizado pela nossa carranca e falta de abertura com as pessoas ao nosso redor, os problemas fossem compartilhados, assim como as alegrias, certamente o caminho até o trabalho seria revelador, gargalhante, confortante e até mesmo familiar...

enfim... passei a viagem inteira em silêncio, afundada na minha imaginação e também me sentindo a criatura mais estúpida da face da Terra por não conseguir dar bom dia ao senhor que estava ao meu lado e que passou mais tempo comigo do que o meu pai no dia de hoje...

o que me diferenciou dos demais passageiros silenciosos?... NADA... boas ideias que não são expostas são um NADA bem redondo e insignificante... sabe quem fez a diferença dentro daquele cubículo retangular e abafado?... o mocinho, de boné com aba reta, que passou pela roleta, se sentou bem sim, senhor e colocou um superultramegarblaster funk a todo o volume, fazendo as pessoas ao seu redor mudar a carranca (piorá-la) e mexer o esqueleto (movendo a cabeça num sinal de desaprovação total)...

"pelo menos alguma reação" – pensei eu, piorando a carranca e desaprovando o rapazinho, como todos ao meu redor...

sábado, 16 de abril de 2011

cada um por si e deus por mim!



tenho me sentido tão mais peixe fora d'água do que o habitual nesta realidade individualista que a minha vida "adulta" tem, infelizmente, presenciado... coisas pequenas, manifestações bestas de um individualismo fedido, sujo, egoísta... estão todos se escondendo mais e mais a cada dia dentro de seus lares "perfeitos", dentro de seus cotidianos "perfeitos", se cagando de medo que alguma coisa ou alguém interfira em suas vidas tão empenhadamente planejadas, rumo a um muito material e a um nada essencial... estão todos vivendo suas vidas, apenas suas vidas, nada mais do que suas vidas, literalmente fodendo para o que está ao redor, para o que sai do terreno do próprio umbigo... esse individualismo capacita as pessoas a se colocarem em uma posição de eterna vitimização de tudo... nesse mundo individual, o vilão é sempre o outro, o mocinho é sempre o "eu"... as dores das pessoas são sempre as mais insuportáveis, as tristezas são sempre as mais dramáticas, os tombos são sempre os mais altos...

PERAÍ!

que porra de mundo é esse!
véio do céu, puxa o freio de mão dessa nave que eu quero descer!
ah, tu não vai parar? tudo bem, abre essa porta mesmo assim, porque eu vou descer, com ou sem para-quedas!

EU NÃO SOU ASSIM! eu não quero isso para o meu coração, para o meu espírito!... é tão dolorido captar tudo isso... dolorido mesmo... dá um nó na garganta, um vazio triste, uma desesperança cinza... será que bendito são os que vivem sem pensar, os que simplesmente "aproveitam" a vida sem se atingir com nada?... ou será que estamos aqui para isso, para irmos contra essa maré tsunâmica, segurando com unhas, dentes e o que mais for possível nossos princípios, nossa anormalidade, que nos distingue dessa massa, dessa maioria umbigal?... não sei... não sei de mais nada... sei que não vou desistir...

estamos todos no mesmo barco, na mesma nave, no mesmo lugar!
não é complicado dar-se conta disso... é só olhar para o lado.

terça-feira, 12 de abril de 2011

sonho


minha inspiração só vem com uma gota de tristeza, de saudade, de aperto no peito, de indignação... e quando se está no piloto automático? como é que faz?... cato fito paez, drexler, caetano, teatro mágico... 

"sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar"... é o que me grita pelo youtube o vocalista do teatro mágico, com sua face que só é bonita quando está pintada de de palhaço, de irrealidade, de sonho... 

me olho no espelho e o piercing que há 13 anos mora na minha sobrancelha hoje parece uma pulguinha feia e mal educada... a argola do meu nariz parece ser a mais estranha do universo e os meus olhos grandes (brilhosos?) parecem ter engolido meu rosto buchechudo... estou feia... será que preciso de uma camada de sonho na minha realidade?... o espelho me grita que sim... um sim sem cor, desesperado por um nariz vermelho... 

me perco de mim mesma dentro deste aquário cheio de regras ortográficas, linhas espaçadas por diagramar, contas pra pagar, feridas pra curar... mergulho numa razão que me faz medir, milímetro por milímetro, palavras, passos, gestos e pensamento, como se essa medição fosse essencial para a boa impressão na gráfica deste livro, que é a minha vida... assim, deixo o sonho pra trás, a cor pra trás, o esquecimento de acordar para trás...

às vezes é essencial anular a existência do soneca do despertador e esquecer de acordar para colorir nossa vida de sonho.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

instinto

ressucitar alguém, insistir na massagem cardíaca, trocar os curativos diariamente... ajudar alguém sem medir esforços, sem julgar, sem se perguntar porque... por que as pessoas são tão resistentes a isso? por que as pessoas olham apenas para si, se não vivem sozinhas no mundo, se dependem do mundo para viver?... essas perguntas foram tão gastas e banalizadas pelos livros de autoajuda (agora sem hífen!) que abarrotam as livrarias de todo o mundo, falar delas parece meio idiota.

(não consigo ser impessoal... me esforço, mas não rola... então, para tentar sair da "idiotice" trivial da autoajuda, tão necessária e tão respeitada por mim, meu coração vai falar...)

o que vou escrever e mostrar aqui, com o coração e sem me preocupar com a nova ortografia, é pra ti, que me julga por estar me dedicando a uma pessoa, pessoa esta que eu amo e que me fez e me faz muito feliz... pra ti, que pede para eu seguir minha vida e largar esse "problema"... pra ti, que se distanciou de mim por não querer se influir, por não querer entrar no "rolo"... pra ti, que no teu jantar perfeito em família me julga por ter aberto as portas da minha casa e da minha vida para salvar uma vida... é pra ti, que olha para mim e faz um estúpido tsc, tsc, tsc com a cabeça...

!

caralho! 
ser uma pessoa boa é bom! 
fazer o bem é bom! 
sujeitar-se a uma nova situação para evoluir é bom! 
mudar a rotina em prol de uma vida é bom!
ver feridas, que antes eram chagas, cicatrizadas porque minhas mãos a curaram pacientemente, dia a dia, é bom!

não, não é trabalhoso, não é sacrifício nenhum, não é o fim do mundo
...
é o começo!
isso tudo é vida, isso tudo é fazer a vida valer a pena.
isso tudo é instinto. instinto de quem ama. instinto de quem é bom.

a produção pode não ser 100%, tu não vai encontrar um homem sem os membros falando em público e dando uma baita lição de vida... tu... tu mesmo... aperta nesse link e se sente o cocô da mosca que estava no cocô do cavalo do bandido:


se ele não desistiu... ele, que não é racional (ao menos é o que dizem por aí... coisa que eu discordo em gênero, número e grau), não desistiu... porque eu vou desistir?

quando foi que tudo ficou ao contrário?
é, nando reis... o mundo está ao contrário e ninguém nos falou...