terça-feira, 19 de abril de 2011

viagem imaginativa


hoje de manhã enfrentei um ônibus lotado... tinha esquecido o quanto aquilo me fazia pensar... aquele amontoado de gente ocupando o mesmo espaço, todos muito sérios, todos dentro dos seus pensamentos, problemas, alegrias, frustrações e euforias... sempre imaginei como seria uma viagem de ônibus se as pessoas conversassem entre si naturalmente... nesta imaginação cabe até um chimarrão passando de mão em mão e uma rapadura partida em pedacinhos dividida entre os que ali estão...

(quando eu era criança, eu pensava que deixaria de imaginar coisas assim quando crescesse... aconteceu que eu não cresci muito e minha imaginação de hoje dá um baile naquela que chupava bico e era ainda mais buchechuda.)

se ali, naquele espaço de tempo inutilizado pela nossa carranca e falta de abertura com as pessoas ao nosso redor, os problemas fossem compartilhados, assim como as alegrias, certamente o caminho até o trabalho seria revelador, gargalhante, confortante e até mesmo familiar...

enfim... passei a viagem inteira em silêncio, afundada na minha imaginação e também me sentindo a criatura mais estúpida da face da Terra por não conseguir dar bom dia ao senhor que estava ao meu lado e que passou mais tempo comigo do que o meu pai no dia de hoje...

o que me diferenciou dos demais passageiros silenciosos?... NADA... boas ideias que não são expostas são um NADA bem redondo e insignificante... sabe quem fez a diferença dentro daquele cubículo retangular e abafado?... o mocinho, de boné com aba reta, que passou pela roleta, se sentou bem sim, senhor e colocou um superultramegarblaster funk a todo o volume, fazendo as pessoas ao seu redor mudar a carranca (piorá-la) e mexer o esqueleto (movendo a cabeça num sinal de desaprovação total)...

"pelo menos alguma reação" – pensei eu, piorando a carranca e desaprovando o rapazinho, como todos ao meu redor...

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