quinta-feira, 12 de maio de 2011

luz apagada para acender...


Dias desses passei por uma experiência bacana: faltou luz e eu estava sozinha em casa... está bem, sozinha, não, o cachorro estava comigo, literalmente comigo... e foi coisa de fio rompido ou coisa parecida... sinal de que a escuridão ia longe e eu teria que dar jeito em fazer alguma coisa... acendi umas velas... o olhar do cachorro, louco de apavorado, me passava uma insegurança daquelas... então, pensei: de inseguro, já basta o cachorro...  recorri às tiras da Mafalda, sempre dispostas a preencher o “tenho que fazer alguma coisa para o tempo passar”... aí a proximidade dos meus trinta anos se acusou por meio da minha astigmatizada visão, totalmente deficiente...

Decidi escutar o meu silêncio. Naquele momento, eu não tinha nenhum compromisso a cumprir, nada a falar, não tinha como inventar alguma coisa, nenhum horário para nada, enfim, mergulhei na ilimitude do meu silêncio... não vou filosofar sobre a coisa toda, dizendo que foi incrível e transcendental, porque foi meio monótono, até eu me sentir estranhamente estranha ao me ver assim: solta, ilimitada, sem rumo, sem nada e com tudo ao mesmo tempo...

Deitei no sofá e me escutei... escutei a plenitude falando, sem falar, que é preciso apenas viver a vida sem grandes questionamentos, sem grandes teorias... vamos construindo nossa essência com nossas experiências, nossa educação e alimentação da nossa índole... é ela, a essência, quem nos guia pelo caminho, dia após dia... e está nesse caminho o grande sentido desse encher o ar de pulmões de cada dia, de todo o dia... chegar é preciso, mas não dá pra caminhar até lá sem sentir as cores e aspirar os sabores da estrada...

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