terça-feira, 30 de julho de 2013

beijo de alexandre



não o conheço pessoalmente. o papo é via internet. não me pergunta como, mas a gente tem química. não sei se é fruto da minha carência. se é coisa de pele, mesmo sem toque. se é coisa do meu santo ter batido com o dele. sei que me excito só de ouvir o nome dele. alexandre é um nome forte em si. agora, melhor do que o nome é poder chamar alexandre de alê, assim, alê, um alê meio gemido.

alexandre é daqueles que te pegam pelo cangote. que sabe a dose da puxada. que infiltra os dedos pelos cabelos suavemente e que, quando tu se entrega àquelas mãos, ele dá aquela puxada que te faz soltar um “ai”, quase um “puxa mais”. e não te beija de primeira. antes, sente o cheiro da tua vontade, do teu hálito já entregue ao desejo de misturar essências. a outra mão te agarra forte, te pressiona contra o corpo dele. a pressão é tanta que te faz querer se mexer. e é exatamente isso que ele quer – que tu se mexa devagarzinho, só pra sentir o membro dele excitado. duro. só pra te enlouquecer. teu rosto enrubesce. não tem por onde sair tanto querer. ele não te beija o pescoço, ele te chupa o queixo. na tentativa se sair daquele tanto, senão tu vai gozar em pleno beijo, tu tenta distanciar os lábios dele que estão úmidos e se divertindo com os teus. tu tenta afastá-los com a delicadeza das mãos, dos dedos. e os dedos entram na dança, são igualmente lambidos. tu não se arrisca a atrapalhar tamanha intensidade. tu está molhada. e não quer abrir os olhos, porque tu não quer que aquilo acabe. ele passa a mão na tua cintura como quem tivesse te moldando e, sem sutileza, te aperta a bunda, assim, enchendo as mãos. mais um gemido te escapa entre os dentes. a esta altura, teu corpo já está tão mole, aquela moleza gostosa que só a excitação proporciona, que não consegue mais raciocinar. alexandre aproveita a molezinha, desgruda o teu corpo do dele e diz um “tenho que ir” mais deslavado do que não sei o que. e tu fica lá, em frangalhos. e ele vai embora. e não quer que tu vá atrás, porque, como bom ariano que é, gosta de dominar a arte da conquista... como se alguma arte fosse necessária depois do estrago que ele fez. 

domingo, 28 de julho de 2013

desconstrução




perto do meio dia, o sol ilumina o box. em dias invernosos, é o melhor horário para o banho. enquanto se banhava, o sol a fazia se ver como há muito não se via. seu corpo. sua textura. o sol estava batendo em algo que ela desconhecia. e era nela mesma.

o processo de desconstrução é pesado. denso. o ontem que mora na lembrança dela, num apartamento charmoso com sacada no centro da cidade, simplesmente está fugindo da sua memória. ela tenta lembrar de algo, mas nada lhe aparece com a nitidez de sempre. verdade e ilusão se misturam, fazendo uma bagunça, tornando o charmoso apartamento num brete mal cheiroso.

seu sabonete preferido a faz pensar alto “cereja com avelã – diria ele rapidamente”. será que diria? será que ela queria que ele dissesse e, por tanto querer, sua mente transforma o seu querer em uma mentirosa lembrança?

ela não sente arrependimento. olha para seus traços desenhados e contempla a nitidez que o inverno dá às suas tatuagens. e estranha desconhecer-se. e estranha não mais sentir a infinitude daquele amor. se era infinito, por que não está mais ali? seus cabelos cresceram. lembra de quando, naquele novembro, ela mal poderia agarrá-los com as mãos. e, como uma criança compara o tamanho do amor que tem pela mãe ao tamanho do mundo, ela projetava com uma infantilidade bonita – “quando meus cabelos me taparem os seios, quero estar grávida”. os planos não eram os mesmos. foram desconstruídos com a mesma marreta que decepou aquele amor infinito. ela se desconhece, mas não lamenta.

ela se desconstrói. e gosta.

beijar os olhos



uma amiga fez o meu mapa astral. ela disse que tem um escorpião morando na casa dos meus relacionamentos. e que isso significa que adoro um relacionamento confuso-misterioso-e-tantos-adjetivos-que-são-sinônimos-de-quase-encrenca. deve ser por isso que gosto que me enrosco de ti sem ao menos te conhecer os olhos. nos olhos. através dos olhos. te beijar os olhos. deve ser por isso que, mesmo depois de um “ahã” teu tão indiferente que chega a doer, crio uma brincadeirinha tosca pra puxar papo e adoro tua resposta imediata e com uma intimidade que me faz sorrir além do “hehe”. deve ser por isso que sismo em querer ver além do que me é mostrado. e ter a quase certeza absoluta de que tu fica olhando a bolinha verde ao lado da minha foto e esperando que eu venha com o meu riso e o meu silêncio. o bom disso é saber que vou escrever isso, publicar no face, e quem eu mais queria que lesse – tu, óbvio – não vai ler. se ler, nunca vai se dar conta de que é pra ti. e se se der conta de que é, eu nunca vou saber, porque tu nunca vai me contar, e eu, nunca admitir. bendito seja meu eu-lírico.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

pelo caminho




gosto de dirigir. é minha terapia. a música sempre está em um volume suficiente para que eu cante alto e a música siga ainda mais alta. para mim, é um “vamo que vamo pra mais um dia”. tenho verdadeira dó de desligar o rádio quando chego no trabalho e a música ainda não acabou. costumo me enrolar pelo carro pegando a bolsa, ajeitando uma coisa ou outra até que ela acabe. mas não é sobre isso que quero registrar. 


sempre que faço esse “embromation”, o seu Edenar, o porteiro-amigo do prédio ao lado da editora que é muito além disso, já é parte bonita e sorridente do meu dia, sai para me cuidar. mais do que me cuidar, ele adora as minhas músicas. “só tu mesmo pra estar nessa alegria assim, cedinho e com esse frio. sabe que dá uma felicidade na gente ouvir a tua música?” – disse o seu Edenar com a simplicidade de sempre dele. me senti bem. quase chorei, óbvio. loucura a gente pensar que nosso estado de espírito, que o nosso existir não exerce influência sobre a vida do mundo, das pessoas ao nosso redor, quando as evidências estão aí para serem muito além de vistas. é claro que precisamos ter o nosso momento de silêncio, de pranto. eles fazem parte da evolução da coisa toda. que esses momentos durem o tempo suficiente para que haja o aprendizado, e depois que o baile siga. que siga no volume máximo, para que aquele que está ao nosso lado seja contagiado com a nossa música. o mundo nos dá o que damos para ele. 

terça-feira, 9 de julho de 2013

fases do fim (ou começo?)



primeiro tu pensa que daquela noite tu não passa.
que vai morrer de amor (ou pela falta de amor).
se esvair em lágrimas até secar.
que nunca mais vai ficar com ninguém, pois nunca alguém chegará aos pés dele (ou do que tu sentiu por ele).

amanhece, e tu, incrivelmente, sobreviveu àquela noite. e à outra. e outra. e outra.

aí tu precisa conceber a ideia de ficar sozinha. e percebe que ela não te cai assim tão mal. passa a curtir momentos teus que tu pensava terem morrido, se estrebuchado na vida a dois. teu quarto parece que te abraça. aquele livro te chama para um encontro agradável. o almoço de domingo com tuas amigas é risonho. o abraço naquele teu amigo que ele morria de ciúme se torna uma fortaleza. tu para na frente do setor masculino daquela loja, dá meia volta e compra mimos só pra ti. tu abre a janela do carro e, enquanto dirige, canta bem alto aquela música que só tu gosta, com as mãos pra fora. e aquele momento é tão teu, tão teu que tu sente uma cócega feliz no coração.

tu te dá conta de que passou mais tempo da tua vida contigo mesma. e que não apenas sobreviveu, mas viveu. tu te dá conta de que amou, amou muito, e que, enquanto amou, viveu, desfrutou, foi feliz. e que morrer de amor é bobo demais. e que o fato de ter acabado não é sinônimo de que não deu certo, e sim, de que simplesmente acabou. simples assim: histórias têm começo, meio e fim. está em ti aceitar, entender e seguir o baile, mudar o ritmo e absorver todo e qualquer aprendizado que te é dado no teu dia a dia, nas coisas que te tocam viver.