segunda-feira, 12 de agosto de 2013

invejosa



riso largo. 
olhos pequeninhos. e preparados.
grande, alto, homem. homem, homem, sabe. daqueles que a gente abraça e encosta a cabeça no peito. ai, coisa boa.
queria saber o que essa criatura viu naquela Pequena. guria esquisita, diferente. pra gostosa, ainda falta muito. como ela mesma diz “pode me chamar de interessante, mas de bonita, é pegadinha”. não sei o que ela tem que eu não tenho.
curiosa, entro no facebook dele e o festival de mulherões assusta. será que não assusta aquela baixinha abusada, hein? é abraço num loiraço, é riso com uma ruivona, é cerveja entre duas lindas escrachadas. dá vontade se enforcar depois de acessar as fotos. e ele ainda insiste nela. Imagino a cara de surpresa dessasinhas montadas no salto ao imaginar esse pedaço de homem largando o mundo, pegando um avião para passar algumas horas com ela, ela e suas sapatilhas coloridas.
“tô loco pra te ver”. ela me mostra a mensagem que ele manda pra ela pelo whats, seguida por uma foto sorridente, sem camisa, numa praia paradisíaca. “guria tonta, esse ‘tô loco pra te ver’ deve ir pra tantas e ela ainda se ri toda dentro desse corpo pequeno, esquisito e rabiscado”, penso eu, mergulhada na minha inveja chuvosa. que ninguém me escute, mas, se eu fosse um desses ouvidos a lerem essa mensagem, também me derreteria e não estaria nem aí se eu não fosse a única. me esbaldaria naquele sorriso convidativo. me entregaria sem pensar em nada, só sentir.

da série "homens que acabam com a vida de qualquer mulher" - parte 1


têm homens que existem apenas com um intuito: o de acabar com a nossa vida. parece que eles têm um cheiro diferente. um cheiro atrativo feito ímã. lembrei do delicioso livro "10 (quase) amores", da ainda mais deliciosa tajes. poderia pensar em lançar uma coleção. ou um livro com mini contos, cujo título seria “homens que acabam com a vida de qualquer mulher”. e não me vem com xurumela. com qualquer mulher, sim.

e esses homens vão desde estilinho caio castro dançando conga la conga até... até...

dia desses fomos dar uma volta totalmente descompromissada. fomos comer comida uruguaia. pancho, xivito, qualquer coisa que fizesse o garçom falar aquele sotaque que coloca a língua entre os dentes e o meu sorriso mais sacana no rosto. chegamos lá e, para o meu delírio inicial, fui recebida com um “o que vão querer tomar? coca, sprite, fanta, pomelo, cervezas artesanales”. okey, parei no pomelo e minha noite já estava garantida. 

antes o contentamento se contentasse com o amargo do pomelo uruguaio, eis que sai da cozinha uma criatura portando um cabelo emaranhado, uma barba por fazer, uma boca carnuda e não apenas um sotaque, mas um castelhano saindo aos risos para o parrillero. pronto. me apaixonei. o terrível casaco estilo parka, que é um edredon com manga, caiu nele tão bem quanto uma camisa básica justinha na medida certa, gola v. temi olhar para baixo e ver um sapatinho de couro com aqueles tufinhos em couro. qualquer coisa cairia bem naquela alma castelhana bagunçada.

o lugar era simples, mas típico o suficiente para tu abrir as portas e se sentir em outra galáxia. luzes amareladas, cortininhas de cortiça charmosas, mesas de madeira de demolição, objetos caseiros e de muito bom gosto espalhados. a luz da churrasqueira sem deixar cheiro de fumaça deu o quentinho necessário para deixar quem ali entrar com vontade de simplesmente ficar ali até fechar.

aí a criatura, que tu sabe que tem a capacidade de acabar com a tua vida apenas com o olhar, me nota. não sei se ela me nota porque quase tive um enfarte quando o garçom disse pomelo, o que o faria concluir que eu terá verdadeiro orgasmo apenas com o “que passa, nena”, ou se eu simplesmente intimidei o rapaz, hipnotizada com o papo dele relativo à carne com o outro lindo que estava no comando do fogo. era o que menos importava. àquela altura, no meu pensamento, ele já estava sem o parka, me falando esquisitices excitantes em espanhol, me deitando numa mesa, fechando a cortininha de cortiça e acabando com a minha vida bem ali, exatamente onde engoli um pancho (isso que salsicha é o que menos me atrai na culinária.).

eis que o jack estripador de vidas de maria-sotaques simplesmente vai embora. dá uma passada de mão naquele cabelo bagunçado, passa por mim, me mira pela última vez com a mirada que só os muchachos têm – olhinhos caídos, ingênuos e tão, mas tão maliciosos ao mesmo tempo – e simplesmente vai embora.

ufa. escapei por pouco sem o menor esforço de escapar.
donos charmosos de estabelecimentos charmosos, definitivamente, acabam com a vida de qualquer mulher.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

livre



entre papos de mulher, na praça ao redor de uma cancha de futebol, uma delas me pergunta “e aí, qual é a situação?”. respondo com graça “quero dar pro japonês”. o bonitão, que descansava da pelada pós-almoço, olha pra trás e solta um risinho medonho. a loira enrubesce. a ruiva dá risada. a sexy segue sexy. e eu me basto.

a boa da verdade é que eu só preciso de alguém que me trate bem. que me beije os olhos, me olhe a boca e faça minha pele sorrir com um toque de arrepio. okey, de lambuja, posso ganhar um dengo, uma janta, uma sobremesa sexy e uma mensagenzinha educada de bom dia na manhã seguinte.


“querida, já vou avisando que te farei a mulher mais amada do mundo em uma noite, mas que não sou de me apegar.” ah, obrigada por avisar. a recíproca é verdadeira. 

prezada anônima



chego no trabalho, abro meu blog. me deparo com alguns comentários de uma pessoa anônima admirando o que escrevo. sinto ainda mais vontade de escrever, mas um sentimento de incapacidade toma conta de mim. “é preguiça”, diz meu pai. “é medo”, digo eu. medo de dar certo. medo. os elogios da anônima me fazem emocionar, preencher o que pelas bandas de cá anda vazio. ao me ler, ela supõe que sofro por um amor, me aconselha vivê-lo de corpo e alma. anônima que me fez emocionar e acreditar que eu realmente escrevo: vivi este amor até o último vestígio. e ele foi estraçalhado. e já que fostes tão coração comigo, deixo de lado meus escrúpulos e limitações e te digo, cá entre nós, que quem estraçalhou esse amor além do infinito que tanto reguei e cuidei tem nome. tem nome e é petiça. cabe na palma da mão e aniquila o universo. o nome da poderosa? droga. te peço, por favor, prezada e já querida anônima, siga me lendo e me querendo bem. e que esse querer bem seja alimentado a cada nova sensação, toque, sentimento, essência, tesão, prazer que tu leres. será apenas sinal do quanto estou bem e recuperando o que perdi por entre essas palavras tão poéticas que descreveram situações tão dolorosas: o meu amor-próprio.

te matei


acordei enjoada. talvez enjoada de buscar um preenchimento. um frio na barriga. uma dor. qualquer coisa que ocupe o espaço que ele deixou. tive um sonho mórbido, mas importante, significativo. sonhei que eu o havia matado. morte matada mesmo. e quer saber do que mais? matei com as minhas próprias mãos. cheiro forte de sangue. me senti no filme volver, desesperada para me livrar do corpo. desmembrei o corpo. sim, parte por parte. havia sangue, mas não o suficiente dentro do meu ideal, talvez do meu querer mais raivoso. coloquei as partes dele dentro de um saco preto. a cabeça, antes, coloquei numa sacola plástica, pros miolos não correrem o risco de sujarem meu carro. “vou tocar esse saco na porta de algum cemitério.” antes, pensei em abrir a sacola, talvez acariciar os cabelos, fazer uma prece, o último adeus, mas não quis. assim, simplesmente não quis. arrastei o saco preto para dentro do carro e a batida da porta me fez acordar. despertei indiferente. comida e festa pro cachorro. “chegou o teu bolinho”, disse o tio paulo, dono do bar ao lado. adoro essa familiaridade natural. estava nos meus planos comprar pão de queijo e tomar com todynho, mas não consegui negar o carinho dele. tenho estado ainda mais atenta ao que me rodeia, talvez para virar história para contar, talvez para me repreencher comigo mesma composta do todo do mundo. e quanto ao sonho? morreu, morreu, fazer o quê?  e o enjoo? alguma dúvida de que o bolinho curou?