quinta-feira, 7 de agosto de 2014

amor em caps lock


tem dias que estou (de)sintonizada do mundo. é estranho. “tu viu o que vão fazer com o pobre do tigre?”. não. “e aqueles pobres pais a sofrer à espera dos filhos adolescentes que fugiram?”. não. “e o dinheirão que gastaram fazendo aquele templo?” não.

na loja, a filha “para de me encher o saco, mãe”. no telefone, a vaidade “não é por mal, mas o que escrevo é uma das melhores coisas que se tem por aí”. na sala de espera, o adolescente não dobra as pernas para o senhor de bengala passar. bocas malucas por ouvidos. passos apressados pra chegar num nada que ecoa. dedos coçando pra apontar. vidas controladas e controladoras. rotina sem música. sapato desconfortável pra manter a pose. sorriso pálido pra selfie.

ontem dei um boa noite risonho pro frentista, meu cachorro-nelson latiu pra ele. ele gargalhou pelo nome do canino-amigo: “é o mesmo nome do meu pai”. deixou escapar um “quanto tempo faz que não dou risada deste jeito. eu me sinto tão sozinho”. deu vontade de abraçá-lo. e de chorar.


dá vontade de voltar. parar tudo e descer. voltar e descer sabe-se lá onde. qualquer lugar onde olhos se toquem em essência. que o AMOR em caps lock mova.