quarta-feira, 11 de maio de 2011

abraço de liberdade


percorri o mesmo caminho pela quarta vez, rumo a um fim de mundo que a maioria das pessoas não imagina existir... pelo caminho, almas ingênuas abrigadas em um corpo doente, em um corpo considerado louco... sempre que tenho o prazer de vê-los, mesmo em uma situação tão dolorida, penso com uma ligeira alegria que eles são os normais, que dão vasão para o mundo que grita dentro deles, sem limitar-se com as limitações impostas por esse mundo tão comum e normal.

dar-se conta de que era a quarta vez que eu estava percorrendo aquele caminho louco, fez-me pensar em um ditado mais do que manjado: chovendo no molhado... sim, eu estava chovendo no molhado.

chega.

firme e forte como só eu consigo ser, peguei nas minhas mãos, como em prece, e tirei forças de mim mesma.

abracei o amor... um corpo tatuado com muita dor, com uma história de existência dolorosa... aquele abraço selou tantas batalhas vividas assim, abraçados... aquele abraço fechou mais uma vez a mesma porta que, como uma pessoa que sofre de transtorno obsessivo compulsivo, abri e fechei a mesma porta algumas vezes para certificar-me se ela está realmente fechada e, entre esse abrir e fechar, reforço a certeza se quem ficou lá fora, lá fora do meu coração, ficará bem, ficará em paz, ficará em luz.

fechei a porta. definitivamente.

e, como um grito de liberdade, cochichei no ouvido dele: tu me liberta?
sim, Fiel Escudeira, eu te liberto – gritou-me esse amor em um soluço triste, mas libertoso para ele também.

busquei o choro para seguir me abraçando no caminho de volta, mas não o encontrei... no rádio, sim, incrivelmente no rádio, como uma das músicas mais pedidas da manhã, o fito paez me grita: “Si un corazon triste pudo ver la luz, Si hice mas liviano el peso de tu cruz...”... agradeço às pessoas que pediram esta música para mim, para que eu a escutasse EXATAMENTE naquele momento, escutando-a da melhor maneira, com a minha melhor energia e com a certeza de que o meu coração voltará a ver a luz e que o peso da minha cruz já se faz mais leve, muito mais leve depois daquele último fechar de portas, depois daquele grito sussurrado de libertação.

o mundo segue a girar... Y a rodar, y a rodar, y a rodar, y a rodar mi vida, mi amor... yo no se donde va mi vida, pero tampoco creo que sepas vos... e o que me importa saber para onde vai me levar minha vida?.. o importante é o caminho, que seguirei trilhando-o da melhor maneira, com uma bonita bagagem de vida.

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