domingo, 22 de abril de 2012

coisas pequenas

ela tomou café da manhã sozinha,
sozinha, não, o pequeno príncipe da caneca a acompanhava com cara de cerâmica.
bateu seu café, como sempre fazia nos finais de semana.
comeu seus beijinhos de freira com certo desgosto, algo de amargura.
ligou o rádio. 
ele faz falta.
o silêncio dele faz falta.
o escrever dele na mesa com os dedos, colocando no mundo o que ele pensa, faz falta.
sentiu vontade de oferecer um mimo pra alguém, um carinho. 
o cachorro pediu atenção, e negou o seu biscoito.
talvez faria um café bem cremoso e esperaria ele levantar. ele não viria. ele não estava ali.
o sorriso dele faz falta.
o tom de voz dele faz falta.
o levantar rápido dele, incompatível com a preguicinha dela pela manhã, faz falta.
vai ao banheiro, com a porta aberta.
se ele tivesse ali, ele falaria: fecha essa porta, porque tu não mora numa oca! ela daria risada e fecharia a porta (mal sabe ele que ela só deixava a porta aberta para ouvi-lo falar isso).
a vida segue.
tudo no seu tempo certo.
acreditar no mundo, na energia que o faz girar é uma confiança difícil de li(dar).
o pensamento segue conectado, o coração também.
valor nas pequenas coisas, nas pequenas mesmo, é o pensamento que permeia o resto do dia dela, que segue com o seu melhor sorriso no seu rosto angelical-quase-triste.
não se deixa desanimar – ele pedia pra ela em pensamento de brisa.
pensou nas perdas de tempo que o mundo se sujeitava por medo, por orgulho. sentiu vontade de se arrepender por tudo o que já teve vontade de fazer por-para ele e não fez. junto, sentiu vontade de viver.
e assim o fez.

Nenhum comentário:

Postar um comentário