quinta-feira, 26 de abril de 2012

pétala



ela levantou antes do sol preguiçoso do outono. não ia arrumar a cama.
"ah, não. não vou me entregar de manhã cedo. não mesmo" – pensou em voz alta, ainda sonolenta.
estendeu a cama, recolheu as meias, que sempre saem dos seus pés e passeiam pela madrugada.
o ontem dela tinha sido ansiado, desconfortável. e não era o sutiã que estava apertando o seu peito. ela realmente estava com o peito apertado. pura saudade. saudade pura.
a leveza do caminhar dela é tamanho que muitos cochicham "não pode ser de verdade" pelos cantos. e ela? ela nem pelota pro que falam por aí, por aqui, por acolá.
hoje ela acordou e prometeu pra ela mesma que não permitiria aquele peito apertado e, se a saudade fazia tanta questão de ficar, que ficasse numa boa, sem desconforto.
colocou seu castelhano a tocar. os primeiros acordes de pétalo de sal a fizeram chorar. um choro bonito. uma saudade bonita. um "obrigada" por estar viva mais bonito ainda.
volta e meia chove chuva triste. e ela vai embora dela.
aquela ânsia, aquele cinza. aquele pessimismo.
nada daquilo era ela. nada daquilo era dela.
sentiu-se eufórica.
ele pediu "y tu podrias darme fé".
e ela assim o fez.
ela estava de volta.
(em tempo, o sol apareceu. nunca é tarde.)

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