terça-feira, 24 de abril de 2012

(re)encontro


ela me colocou no seu abraço, como se o tempo não tivesse passado, como se eu não a tivesse feito doer por todo esse tempo.
chorei. um choro de dor. de suspiro. um choro de gratidão.
gratidão por ela estar ali, por eu estar ali.
eu estava débil, magro, feio, doente. e os olhos dela me olhavam como se eu tivesse com a camisa rosa preferida dela, que eu colocava só pra ela.
não consegui falar muito. não queria falar o que eu tinha pra falar, o que ela queria que eu falasse... por onde andei, porque andei...
eu estava aliviado. eu estava com medo. e ela estava ali, diante dos meus olhos ainda mareados.
ela transpirou espanto ao ver minha situação. "é nervosismo" – ela falou, já sabendo que eu não estava acreditando.
meu choro encharcou a camiseta. e ela estava ali, tão  linda, tão inexplicavelmente ainda minha, com a blusinha que eu tinha dado pra ela, com um escapulário novo e unhas pintadas com o esmalte que eu sempre pedia pra ela pintar, um verde diferente. eu sei que ela escolheu tudo a dedo, pra testar meu grau de sanidade.
por um instante, não, na maioria da brevidade do nosso encontro, eu pensava que aquilo era imaginação, reação adversa. só podia ser. ela não podia estar ali.
não posso dizer que um turbilhão passou pela minha cabeça, que um filme passou pelos meus olhos, porque nada disso aconteceu. porque eu estava vazio. porque ela estava bem ali, na minha frente.
cheguei perto, guardei seu rosto com as duas mãos, tateei seu espírito.
ela me beijou. a boca doce de chiclete de sempre. o meu hálito doente.
uni as migalhas de força que eu tinha espalhadas em mim e agradeci com intensidade. com o coração.
eu ia chorar de novo, mas ela saiu das minhas mãos, fez pose de menina "tu nem notou que eu tô de cabelo novo"... essa minha pequeninha... me fez sorrir. estranhei a alegria. não lembrava o que era aquilo.
ela foi embora. antes, me beijou de novo. e deixou tudo leve.
chamei ela de amor, como se o tempo não tivesse passado, e pedi que ela não largasse a minha mão.
não esperei a resposta. saí.
não queria saber a resposta. não queria vê-la partindo.

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