terça-feira, 11 de março de 2014

A(M)dORmecer


eles não fecham os olhos e adormecem bonitamente, como nos ideais dos nossos quereres que as malditas (e gostosas) comédias românticas nos enfiam goela abaixo. eles deitam. ela se mexe e remexe. ele dá uns tremiliques que a faz pensar “peraí, mas quem faz isso sou eu ou ele?”. ela deita no peito dele e não pode fazer carinho com a ponta dos dedos, senão ele grita de cócegas. antes de dormir, não trocam juras de amor, brigam por besteira. E cansaço. parece que não querem perder tempo dormindo, podendo estar ali, juntos, mas o corpo não obedece. ela, com uma manha infantil quase charmosa. ele, com o ranço característico que a faz dar risada e se enamorar uma pitada mais. se abraçam e desabraçam. ela, cobertor, ele, sempre calor. no meio da madrugada, ela sorri ao tentar tirar o braço que o está abraçando. é surpreendida com uma força involuntária dele ao segurá-la. essa segurança é um “não sai daqui” que ela gosta que se enrosca. ela sorri. e não sai dali. se dormem com uma harmonia bagunçada, uma intimidade certeira que sussurra “estamos exatamente onde devemos estar”.

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