eles não fecham os olhos e adormecem bonitamente, como nos
ideais dos nossos quereres que as malditas (e gostosas) comédias românticas nos
enfiam goela abaixo. eles deitam. ela se mexe e remexe. ele dá uns tremiliques
que a faz pensar “peraí, mas quem faz isso sou eu ou ele?”. ela deita no peito
dele e não pode fazer carinho com a ponta dos dedos, senão ele grita de
cócegas. antes de dormir, não trocam juras de amor, brigam por besteira. E cansaço.
parece que não querem perder tempo dormindo, podendo estar ali, juntos, mas o
corpo não obedece. ela, com uma manha infantil quase charmosa. ele, com o ranço
característico que a faz dar risada e se enamorar uma pitada mais. se abraçam e
desabraçam. ela, cobertor, ele, sempre calor. no meio da madrugada, ela sorri
ao tentar tirar o braço que o está abraçando. é surpreendida com uma força
involuntária dele ao segurá-la. essa segurança é um “não sai daqui” que ela
gosta que se enrosca. ela sorri. e não sai dali. se dormem com uma harmonia
bagunçada, uma intimidade certeira que sussurra “estamos exatamente onde
devemos estar”.

Nenhum comentário:
Postar um comentário