quinta-feira, 17 de abril de 2014

abrazo


quando ele entrou no meu carro e, num nervoso absurdo, me deu um abraço trêmulo, ali, com o pisca-alerta ligado, escondendo meu nervosismo com um falatório bobo e um riso flutuante, ali, eu já sabia. é ele.

enquanto eu já imaginava mãos dadas num clichê ideal de felicidade, ele colocava açúcar no café – “não tomo café com açúcar”. eu ri e cumpri o combinado: um abraço a cada nervosismo que o impedisse de se mover. mal sabia ele que o abraço era pra manter meus pés no chão, caso contrário, miraria aquele café de palavra do alto. miraríamos, pois, naquele momento, eu já estava levando ele por onde quer que eu fosse.

ele cantou jazz no meu ouvido e me bailou em plena avenida. sim, eu sei, coisa de filme. e naquele cheiro amadeirado, naquela barba macia, naquele cabelo bagunçado e naquele coração bonito eu ficaria a vida inteira. sem exagero. a vida inteira.

nossa parecência fez meus olhos assustar. aquilo que eu pensei nunca mais ter a chance de sentir, lá já estava, de mala, cuida, esteira e chapéu dentro do meu peito.

“o que fazemos agora com tudo isso?” – me perguntou com o mesmo susto nos olhos.


chorei amor e não respondi. pedi um abraço sem pedir.

Um comentário:

  1. Elba Gamino da Silva17 de abril de 2014 10:36

    simplesmente amar e viver... viver e amar, estar presente ...Cada encontro é um pouco na gente que descobrimos , as vezes fluímos as vezes represamos....

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