decidiu
relaxar. sair daquela espera à toa. ele foi claro: acabou. depois disso,
ela só fez desesperar. o tempo não passava. o violão que repousa na sala virou
assombração. por todo o canto daquele apartamento tinha ele tocando daquele
jeito gostoso “posso até me acostumar”, com uma caretinha toda dele que dava
vontade de viver. e com um sentimento que vinha lá de dentro daquele coração bonito
que vestia uma cara de vilão. mas que ela não caía, não, ela sabia que aquilo era só esconderijo. quando o sol atropelava
o quarto de paz que os dois dormiam abraçados, ela saboreava a essência dele
enquanto ele dormia. e se esbaldava. ali, o tempo parava, mandava desacelerar e
viver de amor. e mais nada. ela obedecia.
en(fim).
tudo aquilo tinha acontecido. e tinha acabado. ela não queria mais se doer ao
lamentar o não para a plenitude que ela tinha a oferecer pra ele, personificada
em torta de limão. “tudo tem seu tempo” – o cachorro parecia dizer enquanto ela
chorava sentada no chão, ao lado do já maldito violão. colocou o celular no
silencioso, encima da mesa, com o visor virado para baixo, jogo bobo com ela
mesma para não mais esperá-lo. e fingiu seguir.
uma
espiadela.
era ele.
“vem pra mim”.
ela chorou
saudade. guardou na gaveta a dor daqueles dias que o calendário não registrou.
e foi.

Nenhum comentário:
Postar um comentário