terça-feira, 12 de abril de 2011

sonho


minha inspiração só vem com uma gota de tristeza, de saudade, de aperto no peito, de indignação... e quando se está no piloto automático? como é que faz?... cato fito paez, drexler, caetano, teatro mágico... 

"sonho parece verdade quando a gente esquece de acordar"... é o que me grita pelo youtube o vocalista do teatro mágico, com sua face que só é bonita quando está pintada de de palhaço, de irrealidade, de sonho... 

me olho no espelho e o piercing que há 13 anos mora na minha sobrancelha hoje parece uma pulguinha feia e mal educada... a argola do meu nariz parece ser a mais estranha do universo e os meus olhos grandes (brilhosos?) parecem ter engolido meu rosto buchechudo... estou feia... será que preciso de uma camada de sonho na minha realidade?... o espelho me grita que sim... um sim sem cor, desesperado por um nariz vermelho... 

me perco de mim mesma dentro deste aquário cheio de regras ortográficas, linhas espaçadas por diagramar, contas pra pagar, feridas pra curar... mergulho numa razão que me faz medir, milímetro por milímetro, palavras, passos, gestos e pensamento, como se essa medição fosse essencial para a boa impressão na gráfica deste livro, que é a minha vida... assim, deixo o sonho pra trás, a cor pra trás, o esquecimento de acordar para trás...

às vezes é essencial anular a existência do soneca do despertador e esquecer de acordar para colorir nossa vida de sonho.

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