perto do meio dia, o sol ilumina o box. em dias invernosos,
é o melhor horário para o banho. enquanto se banhava, o sol a fazia se ver como
há muito não se via. seu corpo. sua textura. o sol estava batendo em algo que
ela desconhecia. e era nela mesma.
o processo de desconstrução é pesado. denso. o ontem que
mora na lembrança dela, num apartamento charmoso com sacada no centro da
cidade, simplesmente está fugindo da sua memória. ela tenta lembrar de algo,
mas nada lhe aparece com a nitidez de sempre. verdade e ilusão se misturam,
fazendo uma bagunça, tornando o charmoso apartamento num brete mal cheiroso.
seu sabonete preferido a faz pensar alto “cereja com avelã –
diria ele rapidamente”. será que diria? será que ela queria que ele dissesse e,
por tanto querer, sua mente transforma o seu querer em uma mentirosa lembrança?
ela não sente arrependimento. olha para seus traços
desenhados e contempla a nitidez que o inverno dá às suas tatuagens. e estranha
desconhecer-se. e estranha não mais sentir a infinitude daquele amor. se era
infinito, por que não está mais ali? seus cabelos cresceram. lembra de quando,
naquele novembro, ela mal poderia agarrá-los com as mãos. e, como uma criança
compara o tamanho do amor que tem pela mãe ao tamanho do mundo, ela projetava
com uma infantilidade bonita – “quando meus cabelos me taparem os seios, quero
estar grávida”. os planos não eram os mesmos. foram desconstruídos com a mesma
marreta que decepou aquele amor infinito. ela se desconhece, mas não lamenta.
ela se desconstrói. e gosta.

es genial por fin haber tocado fondo
ResponderExcluirporque ya no se puede bajar mucho más
ves ese hilo de luz que está arriba
es tu buena estrella te protegerá
entonces, cuando todo al fin se vuelve insoportable
cuando el mundo y el veneno dan dolor
todavía está allí tu buena estrella
buena estrella para todos
para vos.