domingo, 28 de julho de 2013

desconstrução




perto do meio dia, o sol ilumina o box. em dias invernosos, é o melhor horário para o banho. enquanto se banhava, o sol a fazia se ver como há muito não se via. seu corpo. sua textura. o sol estava batendo em algo que ela desconhecia. e era nela mesma.

o processo de desconstrução é pesado. denso. o ontem que mora na lembrança dela, num apartamento charmoso com sacada no centro da cidade, simplesmente está fugindo da sua memória. ela tenta lembrar de algo, mas nada lhe aparece com a nitidez de sempre. verdade e ilusão se misturam, fazendo uma bagunça, tornando o charmoso apartamento num brete mal cheiroso.

seu sabonete preferido a faz pensar alto “cereja com avelã – diria ele rapidamente”. será que diria? será que ela queria que ele dissesse e, por tanto querer, sua mente transforma o seu querer em uma mentirosa lembrança?

ela não sente arrependimento. olha para seus traços desenhados e contempla a nitidez que o inverno dá às suas tatuagens. e estranha desconhecer-se. e estranha não mais sentir a infinitude daquele amor. se era infinito, por que não está mais ali? seus cabelos cresceram. lembra de quando, naquele novembro, ela mal poderia agarrá-los com as mãos. e, como uma criança compara o tamanho do amor que tem pela mãe ao tamanho do mundo, ela projetava com uma infantilidade bonita – “quando meus cabelos me taparem os seios, quero estar grávida”. os planos não eram os mesmos. foram desconstruídos com a mesma marreta que decepou aquele amor infinito. ela se desconhece, mas não lamenta.

ela se desconstrói. e gosta.

Um comentário:

  1. es genial por fin haber tocado fondo
    porque ya no se puede bajar mucho más
    ves ese hilo de luz que está arriba
    es tu buena estrella te protegerá
    entonces, cuando todo al fin se vuelve insoportable
    cuando el mundo y el veneno dan dolor
    todavía está allí tu buena estrella
    buena estrella para todos
    para vos.

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