terça-feira, 9 de julho de 2013

fases do fim (ou começo?)



primeiro tu pensa que daquela noite tu não passa.
que vai morrer de amor (ou pela falta de amor).
se esvair em lágrimas até secar.
que nunca mais vai ficar com ninguém, pois nunca alguém chegará aos pés dele (ou do que tu sentiu por ele).

amanhece, e tu, incrivelmente, sobreviveu àquela noite. e à outra. e outra. e outra.

aí tu precisa conceber a ideia de ficar sozinha. e percebe que ela não te cai assim tão mal. passa a curtir momentos teus que tu pensava terem morrido, se estrebuchado na vida a dois. teu quarto parece que te abraça. aquele livro te chama para um encontro agradável. o almoço de domingo com tuas amigas é risonho. o abraço naquele teu amigo que ele morria de ciúme se torna uma fortaleza. tu para na frente do setor masculino daquela loja, dá meia volta e compra mimos só pra ti. tu abre a janela do carro e, enquanto dirige, canta bem alto aquela música que só tu gosta, com as mãos pra fora. e aquele momento é tão teu, tão teu que tu sente uma cócega feliz no coração.

tu te dá conta de que passou mais tempo da tua vida contigo mesma. e que não apenas sobreviveu, mas viveu. tu te dá conta de que amou, amou muito, e que, enquanto amou, viveu, desfrutou, foi feliz. e que morrer de amor é bobo demais. e que o fato de ter acabado não é sinônimo de que não deu certo, e sim, de que simplesmente acabou. simples assim: histórias têm começo, meio e fim. está em ti aceitar, entender e seguir o baile, mudar o ritmo e absorver todo e qualquer aprendizado que te é dado no teu dia a dia, nas coisas que te tocam viver.

Um comentário:

  1. Vc é minha musa. escreve como ninguém. Acho que é de família. Também adoro os textos do Marco. Escreva mais ... adoro. E que o baile siga, sem máscaras, com todos se mostrando como são e sendo aceitos em sua essência. Ti amo e ti quero feliz!!

    ResponderExcluir