segunda-feira, 12 de agosto de 2013

da série "homens que acabam com a vida de qualquer mulher" - parte 1


têm homens que existem apenas com um intuito: o de acabar com a nossa vida. parece que eles têm um cheiro diferente. um cheiro atrativo feito ímã. lembrei do delicioso livro "10 (quase) amores", da ainda mais deliciosa tajes. poderia pensar em lançar uma coleção. ou um livro com mini contos, cujo título seria “homens que acabam com a vida de qualquer mulher”. e não me vem com xurumela. com qualquer mulher, sim.

e esses homens vão desde estilinho caio castro dançando conga la conga até... até...

dia desses fomos dar uma volta totalmente descompromissada. fomos comer comida uruguaia. pancho, xivito, qualquer coisa que fizesse o garçom falar aquele sotaque que coloca a língua entre os dentes e o meu sorriso mais sacana no rosto. chegamos lá e, para o meu delírio inicial, fui recebida com um “o que vão querer tomar? coca, sprite, fanta, pomelo, cervezas artesanales”. okey, parei no pomelo e minha noite já estava garantida. 

antes o contentamento se contentasse com o amargo do pomelo uruguaio, eis que sai da cozinha uma criatura portando um cabelo emaranhado, uma barba por fazer, uma boca carnuda e não apenas um sotaque, mas um castelhano saindo aos risos para o parrillero. pronto. me apaixonei. o terrível casaco estilo parka, que é um edredon com manga, caiu nele tão bem quanto uma camisa básica justinha na medida certa, gola v. temi olhar para baixo e ver um sapatinho de couro com aqueles tufinhos em couro. qualquer coisa cairia bem naquela alma castelhana bagunçada.

o lugar era simples, mas típico o suficiente para tu abrir as portas e se sentir em outra galáxia. luzes amareladas, cortininhas de cortiça charmosas, mesas de madeira de demolição, objetos caseiros e de muito bom gosto espalhados. a luz da churrasqueira sem deixar cheiro de fumaça deu o quentinho necessário para deixar quem ali entrar com vontade de simplesmente ficar ali até fechar.

aí a criatura, que tu sabe que tem a capacidade de acabar com a tua vida apenas com o olhar, me nota. não sei se ela me nota porque quase tive um enfarte quando o garçom disse pomelo, o que o faria concluir que eu terá verdadeiro orgasmo apenas com o “que passa, nena”, ou se eu simplesmente intimidei o rapaz, hipnotizada com o papo dele relativo à carne com o outro lindo que estava no comando do fogo. era o que menos importava. àquela altura, no meu pensamento, ele já estava sem o parka, me falando esquisitices excitantes em espanhol, me deitando numa mesa, fechando a cortininha de cortiça e acabando com a minha vida bem ali, exatamente onde engoli um pancho (isso que salsicha é o que menos me atrai na culinária.).

eis que o jack estripador de vidas de maria-sotaques simplesmente vai embora. dá uma passada de mão naquele cabelo bagunçado, passa por mim, me mira pela última vez com a mirada que só os muchachos têm – olhinhos caídos, ingênuos e tão, mas tão maliciosos ao mesmo tempo – e simplesmente vai embora.

ufa. escapei por pouco sem o menor esforço de escapar.
donos charmosos de estabelecimentos charmosos, definitivamente, acabam com a vida de qualquer mulher.

Nenhum comentário:

Postar um comentário